Saímos a todo o vapor da casa do ministro ao encontro do homem que seria de suma importância, o que para mim, se tornara uma missão de vida ou morte. O escritor pouco falou e dirigia com destreza, embora o carro não ajudasse muito. Ao descermos do veículo o escritor se virou segurou forte em meu braço e perguntou-me:
“Você acredita no diabo? ”
Rapidamente disse que não. Então ele me fitou friamente nos olhos.
"A maior astúcia do Diabo é nos convencer de que ele não existe, escreveu o poeta francês Charles Baudelaire”. - Suas palavras soaram como se ele já tivesse se encontrado com tal criatura em pessoa.
O hotel era mediano e ao chegarmos na recepção pedimos para visitar o hóspede do quarto 11. O olhar da recepcionista me deixou intrigado. Alta cabelos pretos longos e lisos, olhos miúdos e pernas esguias, num vestido preto, me fez desconfiar de algo. Ela pegou o interfone.
“Eles estão aqui”.
Do outro lado só ouvi uma voz um pouco rouca dizendo um simples OK. De imediato ela se virou e olhou-nos dos pés à cabeça.
“Podem subir cavalheiros. ”
Nos dirigimos ao elevador, e, de repente, olhei para trás e vi que ela voltara a falar no interfone. Quando me notou tentou disfarçar.
Chegamos ao primeiro andar. O carpete e as paredes eram bem cuidados, embora não houvesse luxo no local. À poucos passos chegamos ao quarto 11 e batemos na porta.
Ela se abriu e estampou uma sala desarrumada e um homem na varanda que fumava. Estava de costas. Vestia uma calça social preta e a camisa branca por fora. Era careca ou raspava os poucos cabelos que lhe restaram. Avançamos até o sofá. Vi quando ele jogou o cigarro fora e voltou-se para trás vindo em nossa direção. Seu olhar não era dos mais amistosos. Era forte como um tigre. Imaginei até que, se quisesse mataria a nós dois em poucos golpes.
“Olá senhores. Não costumo fazer este tipo de serviço. Entretanto devo muito a pessoa que lhes enviou até aqui. ”
Ele se sentou tirou uma pistola que estava nas costas. Parecia uma Glock, e quando sua calça se levantou um pouco mais da canela viu mais dois revólveres pequenos e uma faca de caçador.
GUARULHOS
Ao mesmo tempo em que o jato pousava, uma limusine de alto padrão já esperava pelo Chefe. Foi questão de minutos até ele desembarcar e sair à toda velocidade.
No veículo estavam dois homens bem vestidos de terno preto e o negro ao lado do Chefe.
“Senhores, vamos à casa do homem que lhes falei por telefone, antes que seja tarde demais. ”
O carro saiu a uma velocidade impressionante. O motorista parecia ser um piloto de formula 1, tamanha a destreza com que fazia as curvas e frenagens.
Não demorou muito para chegarem defronte à casa do Ministro. O carro destruiu o enorme portão. Ao ouvir o barulho, o ministro que já estava de malas prontas, saiu correndo por uma porta lateral.
Mas foi tarde demais.
HOTEL
Enquanto conversavam, o celular do especialista tocou. No mesmo momento, a recepcionista entrou no quarto. Saulo, bem como o escritor se assustaram.
“Mas, mas ela não é recepcionista? ”- disse Saulo.
“Ela é minha mulher e nós dois somos a equipe. ”
Virando disse à mulher, vista-se rapidamente. Ela saiu como um raio e voltou de roupa preta parecendo uma ninja.
“O ministro corre perigo”. - Disse o especialista – “Temos que ir para lá imediatamente”.
Saímos por um elevador lateral e avistei um carro que nunca tinha visto em minha vida. Parecia uma supermáquina.
Entramos todos, eu o escritor no banco de trás, e os dois na frente.
“Segurem-se, e não vão mijar no meu carro. ”
Saímos com se estivéssemos sendo levados por um trem bala. O carro preto, era simplesmente incrível. Notei no painel que a cada farol vermelho que passávamos um painel indicava a troca de placas. Acredito que nem um helicóptero chegaria mais rápido que nós.
NA CASA DO MINISTRO
Quando ele abriu a porta deu de cara com um dos homens do chefe. Ele foi rapidamente contido e levado até a sala de estar. Ao adentrar viu sua empregada caída ao chão com um tiro na cabeça e começou a chorar.
Ao virar-se viu cara a cara o homem que ele mais odiava no mundo.
“Olá caro ministro” – O chefe sorriu. – “Achou que conseguiria algo mandando dois paspalhos atrás de mim? Imbecil”
O Chefe deslizou a cadeira de rodas até a cozinha, enquanto o ministro caía em pratos. Quando voltou estava de posse de uma colher de chá. Pequena e toda trabalhada em prata.
“Bela colher. ” -Gargalhou.
O ministro pedia clemência. Amarrado numa cadeira sua expressão era de horror.
O Chefe aproximou-se do ministro que tentava se jogar, mas foi contido por um dos homens.
“Abra os olhos Michel, pois será a última vez que você verá algo em sua imprestável vida”.
Os seguranças abriram a força os olhos do ministro que tentava a todo custo fechá-los.
Então o Chefe chegou muito perto e deu uma estocada num dos olhos, até o fim, retirando o globo ocular. O grito de dor e horror do ministro eram horríveis.
“Agora o outro. ”
No mesmo modus operandi ele enfiou, só que desta vez com mais furor e força e retirou o último olho do ministro. Jogou os olhos no chão, lambeu a colher se virou e foi embora.
O ministro ficou com a cabeça caída de lado. Ainda respirava, mas estava desmaiado.













