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“TERRA SELVAGEM” CAPÍTULO 18

Por Jornal A Bigorna 21/09/2016 19:01:22 1522
“TERRA SELVAGEM” CAPÍTULO 18

SÃO PAULO - 15 dias depois.

Passava das 20:00hs quando o escritor saiu do banho. Foi até a sala e Saulo estava com a TV ligada, porém dormia. Há 15 dias os dois não saíam da casa por ordem do Especialista, que também não dava notícias e nem retornava suas ligações. Alimentavam-se de comida semiprontas e a casa já fedia a cigarro e café. Ele foi até seu quarto, colocou roupas limpas e desligou o celular.

Era sexta-feira.

Na sala deu uma sacudida em Saulo, que ultimamente mais vivia a base de calmantes e parecia um defunto jogado numa casa sem vida.

“Levante-se.”

Saulo abriu os olhos lentamente e balbuciou o que o escritor queria. Jean Pierre deu mais algumas sacudidas nele e gritou acorde, num som estridentemente forte. Foi o que bastou para que seu companheiro de casa-cela prontamente ficasse alerta.

“Vá ao banheiro troque-se e volte aqui. E digo logo. ”

Bastou pouco mais de cinco minutos e Saulo estava de volta. Desta vez, com um rosto com mais disposto.

“Bem, estou aqui, senhor”. Disse num tom sarcástico.

“Guarde suas piadas bobas para outra hora. Venha vamos. ”

Enquanto se dirigia à porta da sala, Saulo o segurou pelo ombro questionando e dizendo que estavam descumprindo às ordens do Especialista. O escritor se virou.

“O especialista que vá a merda. Vamos. ”

Abriu a porta e o lua cheia pairava sobre o ar que, aos poucos, deixa aquela carga pesada de monóxido de carbono que deixava São Paulo cada vez mais doente.

“Onde vamos? ”

“Me siga. Vamos caçar Pokémon”.

Vendo o colega sair, Saulo balançou a cabeça bateu a porta atrás de si e saiu rapidamente atrás do escritor.

Pegaram o metrô e desceram ao lado da Catedral.

“Onde é mesmo aquele bar que você chama de Português? ” – Indagou o escritor.

Os olhos de Saulo marejaram e, posteriormente ele soltou um riso.

“Não acredito. Você, um cara que respeita tudo que o Especialista e o Ministro falam, de repente rompe com tudo. ”

“Sim. Estou de saco cheio. Essa vida já me entediou o máximo que podia. Um dia sabia que iria explodir. Sabe o que é ficar anos confinado numa casa, só podendo sair às escondidas, porque poderia ser morto há qualquer momento? Pois bem, hoje é o dia do ‘foda-se’. ”

Saulo riu, abraçou o antigo colega, que hoje tinha como amigo e pediu desculpas por tê-lo colocado na enrascada em que estavam.

Andaram pouco menos de dois minutos e já estavam no bar. O Português como de costume não os cumprimentou, mas notou a presença de Saulo, que há tempos não aparecia.

Aos poucos os clientes foram chegando e o forró contagiava o ambiente. O bar, não era grande, mas ainda guardava os resquícios de que um dia, ali, houve muita gente importante que frequentou o local. O balcão ainda era o mesmo. Ferro e aço. Os vidros firmes e os azulejos antigos e semiamarelados. O piso já gasto pelo tempo ainda guardava o vermelho da época em que foi erguido o estabelecimento.

No fundo, aos finais de semana, saíam as mesas, para dar lugar para os clientes dançarem e rebolarem ao som tradicional nordestino.

Como chegaram cedo, os dois escolheram a ponta do balcão. Lugar onde podiam ver a rua tanto quanto as mulheres que se debatiam, umas com outras e homens com suas amigas e amigadas.  O ambiente era tranquilo, mas Saulo nunca estivera num final de semana no Português, e estranhou que às sextas e sábados o local virava o redevu do local.

Enquanto bebiam cervejas uma atrás da outra, o Português punha tudo do lado, e a fila de litros ia aumentando à medida que os dois se embriagavam. Apesar da música alta, os frequentadores se mostravam tranquilos e felizes. Há horas os dois, um ao lado do outro bebericavam sua cerveja, pouco ou quase nada falando entre eles. Queriam paz; talvez um do outro, ou quem sabe queriam estar no meio do povão, sendo ninguém no meio de tanto estranho.

Tanto Saulo como Jean Pierre já davam mostras da embriaguez. Passava das 02:00hs da manhã e o som se mantinha. Pessoas saindo, outras chegando, enfim cada um se divertindo da maneira que queria.

O silêncio entre os dois só foi quebrado depois de muita birita. Bêbados eles começaram a tirar sarro de tudo aquilo que estavam passando. Falaram de suas vidas, antes de se meterem numa história que, nem sequer às autoridades tinham colhões para mexerem. Chegaram à conclusão que eram dois loucos pobres que o destino tinha lhes enfiado um punhal ao lado do coração, e, que, a qualquer momento poderiam passar desta para melhor.

Jean Pierre estava de olho numa loira muito bonita, que sentada apenas com a amiga lhe empertigou o sentido de não ter tido mulheres há muito tempo e partiu para a conquista.

A conversa não durou muito, e logo os dois estavam dançando. Saulo, mais comedido continuou sua empreitada rumo a embriaguez.

Quando voltou ao balcão para mais um trago disse ao amigo que não se divertia tanto há muito tempo. Sorria. Colocou a mão no ombro do amigo e disse que, já que estamos fodidos, então fiquemos mais fodidos e voltou a dançar.

Por volta de 04:00hs da manhã os clientes começaram a rarear. Pouco a pouco o bar foi ficando vazio. Saulo pagou a conta, enquanto o escritor estava debruçado sobre uma mesa em estado deplorável, resmungando, apenas, que loira, que loira, onde ela está? Mas a loira já havia ido embora e ele sequer havia notado.

Saulo ajudou-o a se levantar, despediu-se do Português. Era tarde. Não havia táxi àquela hora e o metrô ainda não estava funcionando.

“Merda”. – Resmungou Saulo – além de bêbados temos uma dura caminhada pela frente. Enquanto isso, o escritor cantava músicas de amor e trôpego tentava se equilibrar.

Ao passarem por trás da Catedral, Saulo avistou quatro homens sentados. À princípio não notou nada de estranho. Somente quando chegaram mais próximos, os homens aparentemente inofencivos se levantaram.

“Olá, dançarinos. Resolveram sair passear? ” – Disse o mais alto deles. – “Bem, creio que no estado em que se encontram não podem nos dizer nada, mas o Chefe manda lembranças. ”

Os dois acordaram num hospital noutro dia. Ao lado, numa cadeira, estava o Especialista.

 

 

 

 

 

 

 

 

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