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“TERRA SELVAGEM” CAPÍTULO 5

Por Jornal A Bigorna 07/06/2016 21:20:15 1998
“TERRA SELVAGEM”  CAPÍTULO 5

Fiquei atônito.

Desliguei o telefone e fui pessoalmente até o DP em que trabalhava meu ex-colega. Meu rosto estava roxo e fumegante.

O inspetor me recebeu assim que cheguei e já fui perguntando sobre o homicídio do colega.

Mataram o Celsão ontem de manhã quando saia de casa, dizia-me o inspetor, e, responsável pelo caso, e lamentava-se de não ter muita pista a respeito do assassinato.

Fiquei pela delegacia por mais uma hora. Celsão trabalhava sozinho, e era difícil alguém que sabia algo dele. Apenas um detetive novato me contou que saíra uma vez só com ele, e foram a uma “boca de fumo”. Mas não àquelas bocas nojentas, me relatava. Era coisa de grã-fino.

Sai de lá e fiquei perambulando pelas ruas. Na hora do almoço, parei no português, tomei umas doses e por ali fiquei folheando os jornais antigos. A internet dera pouca divulgação ao fato, já que mortes de policiais, ocorriam quase toda a semana.

O estranho de tudo era que não havia testemunha. Já o inspetor pouco estava ligando para o caso, e os tiras quase não deram bola para mim. Tudo não se encaixava.

Peguei minha pasta, uma folha e delineei cada dia da caçada ao monstro matador. Desde o começo. E justamente bati na última tecla. Por que o Celsão havia me dado uma passagem para o Rio de Janeiro, e pior, como sabiam do Diabo Loiro.

Foi então que uma luz se ascendeu. A chave de tudo estava no Diabo. Só não sabia quem poderia me ajudar.

Voltei à delegacia e vi a cara mal-humorada do inspetor, que soube disfarçar muito bem. Perguntei onde estavam as coisas de um tal de Diabo Loiro, que fora executado um dia depois do Celsão. Quase não olhando para mim, apenas respondeu que estava tudo no setor da perícia.

Bingo!

Na Perícia eu era o “dono”. E foi para lá que fui imediatamente. Tinha grandes amigos, e foi só tomar um café malfeito, para eles me mostrarem tudo.

Fui até o depósito e perguntei o porquê de o laptop e o computador não terem sido periciados. Eles alegaram que todos os discos estavam corrompidos, e que o tal sujeito não tinha identidade, nem nada.

Supliquei que me deixassem levar os objetos. O Matão que estava de plantão, deu de ombros e disse que se eu quisesse poderia levar tudo dali, até um guarda-roupa. Para ele, àquilo tudo não tinha importância nenhuma, visto que o assassinato do homem desconhecido, mas que eu conhecia, e todo o inquérito já havia sido encerrado. Estranho, pensei, em menos de três dias o delegado encerrou o caso por falta de provas. Havia coisas que chispavam em minha mente.

 

Dois mortos, um inspetor imbecil, nada de relevante nas estatísticas da polícia, ou seja, crimes que supostamente nunca ocorreram. Só que eu conhecia alguém que conhecia alguém. E era por esse caminho que iria traçar os planos para capturar o criminoso.

Fiz o contato com um amigo jornalista de longa data. Contei os detalhes, enfim, tudo e mais um pouco. Conversamos por horas, e ele me prometeu que se eu conseguisse uma foto, apenas uma foto, ele faria o resto. Já o contato do jornalista, ele me pedira para enviar pelo correio para a Austrália. E me deu os detalhes. Lá ele tinha um hacker, um dos melhores do mundo, e ele poderia fazer a pesquisa nos computadores do falecido Diabo. Coitado, que Deus o tenha. O codinome da nova fonte – era simplesmente – Taipan - o nome da cobra mais venenosa do mundo, justamente original da própria Austrália.

Fui ao correio e enviei o material para o outro continente. Agora era torcer, afinal, eles não iriam matar um hacker no novo continente.

Depois de tudo feito, liguei para o Drummond, o jornalista, e lhe disse que esta semana faria as campanas para tentar localizar o afortunado assassino.

 

                                                           ****

A missa começaria as 7 como sempre, em ponto.

Ali naquele local onde todos pedem perdão, mas poucos se redimem, lá estava eu. Assistiria a missa, depois comeria algo e, obviamente, iria para o bar do Português. Meus planos para as campanas haviam voltado, e meu sangue se descongelara.

À frente eu notara que o sacristão já havia preparado as hóstias, acendido os candelabros, vinho e água benta. Tudo pronto para a sagrada liturgia. A igreja estava pouco cheia, além das fiéis, como sempre.

Era 6:49 quando notei que o sacristão começou a se preocupar. Ia e vinha todo tempo olhar para o altar. Não costumava muito ir à missa, entretanto sabia que o Monsenhor nunca atrasara em seus mais de 30 anos de ministério apostólico.

Os minutos passavam e o sacristão começava a entrar em desespero. Quando olhou o relógio e notou que já eram 19:15, saiu correndo rumo a Casa Paroquial, já que o Monsenhor se recusava a usar celular.

Tocou a campainha e nada. Estranhou o fato de a porta estar entreaberta. O vigário, jamais deixaria a porta daquele modo. Subiu correndo, e, ao chegar a sala de estar olhou ao lado de um grito ensurdecedor e desmaiou.

Dos poucos que estavam na igreja, o único que foi à casa fui eu. Saí assim que o estridente grito de horror fora ouvido por todos ali.

Subia às escadas como um menino de meia-idade. Logo à frente, o sacristão estava caído. Coloquei a mão e vi que tinha pulso.

Olhei ao lado e vi velas vermelhas, estilo satânicas, e mais ao fundo uma abominável cena de terror.

 

 

 

 

 

 

                                              

 

 

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