Existe uma parábola muito antiga que fala sobre ódio, raiva, rancor, enfim, inúmeros casos em que uma pessoa, muitas vezes, é tomada e começa a insultar outrem, falando inverdades e provocando alardes sobre a vida de alguma pessoa. No caso, a minha, pode falar à vontade, não tenho ‘rabo preso’ com ninguém.
Deste modo, senhor Secretário de Comunicação de Avaré, Josená Bijolada, descrevo tal parábola, na qual encontro total moral e consciência tranquila, pois quando destilamos ódio contra alguém, em geral, o ódio, volta contra aquele que o produziu.
“O presente dos insultos”
Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar o zen budismo aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um guerreiro – conhecido por sua total falta de escrúpulos – apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante.
O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo, e aumentar sua fama.
Todos os estudantes se manifestaram contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio.
Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos – ofendendo inclusive seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados pelo fato de que o mestre aceitara tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram:
“Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?”
“Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?”, perguntou o samurai.
“A quem tentou entregá-lo”, respondeu um dos discípulos.
“O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos” - disse o mestre - “Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo”.
André Guazzelli é jornalista













