Por André Luis – Estava deitado debaixo de uma linda árvore, meditando e rezando pela minha família, o que encarnado nunca havia feito, até mesmo pedindo perdão, por ter prejudicado muita gente, quando meu Mentor se aproximou.
“Vejo muita paz interior. ”
Agradeci e comentei sobre o último episódio que tinha presenciado na Terra e que, enfim, deixara-me muito abalado. Meu Mentor sorriu, e falou que àquilo já fazia muito tempo. Estranhei. Pois para mim, aquelas cenas ainda estavam muito vivas em minha memória.
“Querido filho. Aqui nós não temos tempo. O tempo é uma invenção humana. Você sabe quando tempo já desencarnou? ”
Juro que aquilo me assustou, e disse que achava ter desencarnado uns cinco anos atrás.
Meu Mentor sorriu:
“É realmente você está aqui há muito tempo, digamos uns 10 anos terrestres. Tem aprendido muito, e creio que os espíritos superiores logo lhe chamarão para que atue em missões espirituais, afinal, elas são um grande aprendizado. E aproveitando a ocasião, pedi permissão para lhe levar junto com um a Equipe de Resgate”.
“Como assim? ” – Questionei.
Deste modo, ele me explicou que ali onde estávamos, havia uma equipe de resgate composta por espíritos bem evoluídos, e que sempre são chamados para missões.
“Eles se comunicarão mentalmente. Então se não entender, apenas olhe e aprenda. Pronto? Vamos lá? ”
Volitamos até um lugar onde estavam cinco espíritos que exalavam odor de flores e misticamente uma brancura como se fossem raios de luz inefáveis.
O Mestre do grupo deu um sinal, e, logo assim, estávamos num lugar negro e funéreo. Olhei para meu Mentor, pois afinal, onde estávamos, não entendia. Ele sussurrou que ali era o Vale do Suicidas. Espíritos que tiraram a vida, por alguma razão, e, que, em geral, são resgatados quando pedem a ajuda Divina.
Fomos até um grupo que grunhia. Não sei dizer quanto espíritos eram, mas um se destacou a chorar por misericórdia. Os demais jogavam luzes negras contra a equipe e diziam palavras que eu não entendia.
O Mestre do Resgate olhou para um espírito, uma mulher, que só depois fiquei sabendo seu nome, Maria. Ela se agachou e orou, enquanto os outros espíritos tentavam sair dali. Depois estendeu a mão ao espírito que pedia clemência e o ajudou a levantar, dizendo ao irmão que suas preces foram atendidas, e o Nosso Senhor não abandona seus filhos.
Somente quando pude ver o rosto daquele espírito sofredor, entendi porque meu Mentor me trouxera. Era meu pai, que morrera devido ao alcoolismo desenfreado.
Num raio de milésimos de segundos estávamos de volta. A equipe toda veio me abraçar e se despedir.
O Mestre se aproximou:
“Chamo-me Isaías. Seu pai agora está em suas mãos. Cuide dele. ”
E num facho reluzente a equipe sumiu.
Olhei para meu Mestre que me fitava.
“Lembra-se porque seu pai caiu no alcoolismo? ” – Me questionou.
Abalado fiz um sim com a cabeça.
“Ele era pedreiro, e fez de tudo para pagar meus estudos. Depois que galguei os espaços que me levaram a uma vida rica e plena de conforto, eu esqueci dele e de minha mãe. Nunca mais nos encontramos, ele sempre me ligava, e eu dava desculpas, até que um dia ele desistiu de me procurar. ”
Só então meu Mestre disse:
“Sabe por que ele lhe procurava? ”
“Não. ”
“Bem, ele não queria seu dinheiro e vivia numa casa muito modesta com sua mãe, que continua encarnada, mas está bastante enferma. Eles sentiam sua falta, e não a falta de seu dinheiro. ”- disse o Mentor – “Então ele desistiu de viver. Agora você tem uma grande missão aqui. Pedir perdão a ele e voltar a amá-lo, como Jesus nos ensinou”.
Dito isso, nos despedimos e fui até o hospital, onde ele estava sendo acolhido.
Ao chegar ao lado de sua cama, notei que ele já estava bem melhor. Os espíritos enfermeiros eram extremamente capazes e faziam aquilo com amor intrínseco.
Cheguei ao seu lado e entreolhamo-nos. Ele, então, num gesto lento estendeu a mão e me disse:
“Olá filho. Quanta saudade estava de você. ”













