Segundo dados da Receita Federal, a carga tributária nacional, que é a soma de todos os tributos que o governo suga das empresas e dos cidadãos a cada ano, chegou a 32,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 – 40% a mais do que no início dos anos 1990.
Só no ano passado, de acordo com o Impostômetro, uma ferramenta desenvolvida pela Associação Comercial de São Paulo para acompanhar a mordida do Leão nos recursos privados, os brasileiros pagaram quase R$ 2 trilhões ao governo, nas três instâncias de Poder – federal, estadual e municipal.
Neste ano, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), cada brasileiro terá de trabalhar 153 dias ou cinco meses e um dia apenas para pagar o seu quinhão ao Fisco. É como se, só a partir de junho, o dinheiro realmente começasse a entrar no caixa das empresas e no bolso dos cidadãos.
“A carga tributária brasileira é indecente”, diz o advogado Ives Gandra da Silva Martins, um dos mais renomados profissionais na área tributária no País. “Nós somos escravos da máquina burocrática do Estado. ”
Pior do que a carga tributária em si, é o fato de que a sociedade recebe muito pouco em troca dos impostos estratosféricos que é obrigada a pagar. O atendimento na área de saúde oferecido pelo governo, com filas intermináveis para realização de exames de laboratório e camas em corredores de hospitais, é um desastre.
A educação pública, outrora um modelo para a iniciativa privada, tornou-se feudo de sindicalistas que não aceitam a premiação dos professores que se destacam dos demais e plataforma para longas greves com motivação política. As escolas, agora, viraram alvo de invasões de ativistas, que deixam um rastro de destruição desolador quando são desalojados de suas trincheiras. A segurança, com raras exceções, dispensa comentários. Qualquer brasileiro sabe o que significa a convivência com a sensação permanente de insegurança em seu dia a dia.
Embora tenha uma carga tributária de Primeiro Mundo, o Brasil oferece serviços de Terceiro Mundo à população. Como o governo não entrega os serviços públicos que deveria entregar, em troca dos impostos pagos pela população, a classe média se vê obrigada a recorrer à iniciativa privada para ter um atendimento de melhor qualidade na saúde, uma escola que faça jus ao nome e até para garantir o seu patrimônio, com a contratação de uma empresa de segurança particular.













