Uma empresa de transporte de valores regularizada, carros-fortes adaptados com compartimentos secretos e um bunker subterrâneo escondido sob um cofre formavam a estrutura utilizada por uma organização criminosa para movimentar drogas, armas e dinheiro de forma clandestina em Arujá, na Grande São Paulo. O esquema foi descoberto pela Polícia Civil durante uma operação que resultou na apreensão de 283 quilos de haxixe, 17 armas de fogo e diversos equipamentos usados pela quadrilha.
A investigação foi conduzida pela 5ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disccpat), ligada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Segundo a polícia, a transportadora servia como fachada para atividades ilícitas e permitia ao grupo utilizar veículos que, em razão da atividade exercida, costumam ser menos alvo de fiscalizações.
A descoberta ocorreu durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na sede da empresa, na terça-feira (9). No local, os policiais encontraram um bunker construído sob o cofre da transportadora. O espaço escondido armazenava cerca de 283 quilos de haxixe.
Os investigadores também identificaram adaptações nos veículos utilizados pelo grupo. Em um automóvel adesivado com a marca da empresa, havia um compartimento eletrônico oculto sob o painel. No esconderijo, foram encontrados vestígios da mesma substância apreendida no bunker, reforçando a suspeita de que os carros eram usados para o transporte de cargas ilegais.
Além da droga, a operação apreendeu dois carros-fortes, um automóvel e uma motocicleta. Os agentes também localizaram 17 armas de fogo — entre elas seis espingardas, seis pistolas e cinco revólveres calibre 38 —, mais de 50 carregadores de munição, 11 coletes balísticos, máquinas para embalar e contar dinheiro, bolsas e três celulares.
— Foi uma prisão muito importante estrategicamente, que revelou uma estrutura inédita e sofisticada dos criminosos. A empresa é regularizada e funciona há décadas, tendo sido comprada com a finalidade de transportar ilícitos, inclusive ouro — afirmou o delegado Clemente Calvo, da Disccpat.
Segundo a Polícia Civil, os investigadores não encontraram contratos ou documentos que comprovassem a prestação regular de serviços de transporte de valores. Durante as diligências, os carros-fortes da empresa também não foram vistos realizando operações compatíveis com a atividade declarada pela companhia.
Dois homens foram presos em flagrante durante a ação. Um deles, apontado como proprietário da empresa no contrato social, foi abordado após estacionar um veículo em frente a uma lanchonete. O segundo suspeito estava na sede da transportadora e tentou fugir ao perceber a chegada dos policiais, mas acabou alcançado.
O caso foi registrado como tráfico de drogas, associação para o tráfico, localização e apreensão de objeto e veículo e cumprimento de mandado de busca e apreensão. Os dois investigados, de 41 e 45 anos, permanecem à disposição da Justiça.(Do Globo)













