Por André - Caminhava um dia destes quando notei um velha senhora procurando comida num dos latões de lixo da prefeitura. Entristeci, pois não tinha dinheiro – sequer- para pagar uma marmita para àquele ser humano.
De repente, uma mulher estacionou seu importado ao lado da mulher, fez uma cara feia e tapou o nariz, pois a mendiga, que, aliás, também é um ser humano, cheira mal.
Notei que pra senhora de bens – pois não é qualquer um que anda de Mercedes-Benz, sequer teve a condolência de notar que, ali, bem ao seu lado, estava também uma pessoa, que, infelizmente, não tivera a sorte de ter bens.
Sentei-me no banco da praça São Benedito e fiquei por mais algum tempo. A velha pobre, por fim foi embora, e, coincidentemente, a mulher abastada saiu com três sacolas lotadas de uma loja.
Olhei para a Igreja, e pensei em Deus. Questionei-O porque deixavas aquilo acontecer?
Por que Deus, que ainda teimo em acreditar e desacreditar, porque, uns têm farta comida, e outros perecem e morrem? Milhões tem que procurar comida em latas de lixos, e outros, podem ir à restaurantes chiques. Qual a diferença - Deus, de um pra outro, se estamos aqui de passagem?
Por fim me levantei. E enquanto voltava pra casa um estalo me deu na cabeça.
A verdade, daquilo que presenciara, pura e simplesmente, é que tanto eu, como a mulher rica e a senhora faminta teremos um mesmo fim – num túmulo – uma vala comum - lá não seremos mais diferentes, porque as porcarias daqui, não se levam na morte. E me lembrei do poeta Fernando Pessoa, que dizia: somos cadáveres ambulantes com tempo determinado.













