A Copa do Mundo é um dos eventos esportivos mais aguardados do planeta. Reuniões em família, comemorações, fogos de artifício, buzinas, músicas e muita emoção fazem parte dessa festa. No entanto, para muitas pessoas autistas, tudo isso pode representar um grande desafio.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode estar associado a alterações no processamento sensorial. Sons intensos, ambientes lotados, mudanças inesperadas na rotina e excesso de estímulos visuais podem causar desconforto, ansiedade e até crises de sobrecarga sensorial.
Isso não significa que a criança, o adolescente ou o adulto autista não possa aproveitar a Copa do Mundo. Pelo contrário: com algumas adaptações, esse momento pode ser uma excelente oportunidade de lazer, interação social e criação de memórias afetivas.
Algumas estratégias podem fazer toda a diferença:
Explique antecipadamente como será o evento e quem estará presente.
Respeite a vontade da pessoa caso ela prefira assistir ao jogo em um ambiente mais tranquilo.
Utilize abafadores de ruído ou fones de proteção auditiva, especialmente durante os fogos e comemorações.
Mantenha objetos de conforto por perto, como brinquedos, almofadas ou itens sensoriais.
Faça pausas sempre que necessário e tenha um local silencioso disponível para descanso.
Evite insistir em abraços, comemorações exageradas ou contato físico caso a pessoa não se sinta confortável.
Também é importante lembrar que nem todo autista apresenta as mesmas necessidades.
Alguns adoram assistir aos jogos, vestir a camisa da seleção e comemorar cada gol.
Outros preferem ambientes silenciosos e podem não demonstrar interesse pelo futebol. Ambas as formas de vivenciar esse momento são perfeitamente válidas.
A verdadeira inclusão acontece quando respeitamos as diferenças e entendemos que cada pessoa possui sua própria maneira de sentir, participar e demonstrar alegria.
Que nesta Copa do Mundo possamos torcer pelo Brasil, celebrar o esporte e, acima de tudo, praticar a empatia. Afinal, uma sociedade mais inclusiva é aquela em que todos podem participar do seu jeito, com conforto, respeito e acolhimento.
Sobre a colunista:
Marcela Fernanda de Andrade é pós-graduada em Neurociência, TEA, Educação Especial e Inclusiva, com capacitações em AUTISMO pela Universidade de Harvard, The American Academy of Pediatrics (AAP) e PANAACEA Argentina. É Autista, mãe atípica, estudante de Fonoaudiologia e mestranda em Distúrbios da Fala, Linguagem e Comunicação Humana.
Instagram: @neurofono_marcelaandrade
Atenção: Esta é uma coluna informativa. Em caso de dúvidas específicas, procure sempre um profissional qualificado.













