Por André Luís - Naquela fase de minha desencarnação e o processo de reabilitação ao plano espiritual, meu mentor orientava-me todos os dias sobre nossos espíritos. As reuniões eram proveitosas e com muita harmonia. Havia deixado o plano material há 5 anos, os quais foram difíceis para mim, ao deixar uma vida regada de luxo e bem-estar.
No começo sofri muito. Fiquei num hospital espiritual, até que as dores que trouxera da Crosta Terrestre passassem. Contudo eu tinha muito o que aprender ali.
Quando todos se afastaram do mentor, um tanto quanto temeroso, cheguei ao seu lado, e tomei coragem perguntando-o quem eu fora na outra vida e do que havia morrido.
Ele abriu um sorriso esplendoroso que me deixou constrangido. Seus amplos bigodes e sua risada eram contagiantes - era um espírito muito evoluído.
Ele me fitou e disse:
“Sabia há dias que você queria saber dessa sua passagem, mas não interferi, por isso, constantemente lhe mandava à Terra para viagens com a Expedição, e para ver os infortúnios que, em outra vida você não se ateve. Caro irmão, André, você foi um homem muito rico e ambicioso. Teve uma vida de empresário fantástica, mas se fechou sobre si mesmo com medo de perder tudo. Viveu somente para você. Apenas quis ser amado e nunca amar; se afastava de quem lhe procurava ajuda; um mero egoísta, até mesmo com sua própria esposa, que em breve desencarnará. Pois bem, você teve um câncer avassalador, que lhe tirou a vida em menos de 30 dias, e, justamente, neste período você foi capaz de enxergar com a alma todos os erros que havia cometido, e, por isso, está aqui. Para aprender a não dar tanto valor ao material, mas sim ao humano e espiritual. ”
Ele segurou meus braços dizendo, venha, você irá passar apenas alguns minutos num lugar em que você já foi, mas não enxergou nada ao seu redor. Foi esteve naquele local como um turista. E, agora, você verá muita dor e tristeza. Só assim, seu espírito se acalentará um pouco mais.
Volitamos e rapidamente estávamos na Índia. Por cima de tudo.
Então o Mentor me disse:
“Olhe lá embaixo, perto daquela praça, que divide os milionários dos miseráveis. Desça até lá e você irá falar com uma pessoa que antevejo daqui. Lá você verá que os iguais, se fazem de desiguais. Quando acabar o aprendizado, eu o trarei de volta. Não se preocupe”.
Sequer tive tempo de pensar, e estava sentado numa praça muito suja, onde ao lado um menino mestiço de olhos verdes chorava. Em sua direção, passava um casal que acabara de fazer compras. Eles sorriam, se beijavam, além de estarem bem trajados, sequer notaram a presença daquele pobre ser.
Olhei para o menino e perguntei por que choravas. Cabisbaixo sem ter coragem de me olhar nos olhos, ele me respondeu que sua família e seus irmãos estavam passando fome, e quando foi pedir comida num restaurante apanhou de um dos garçons.
“Não comemos nada além de farinha e água há dias. ”- disse – E chorou profusamente. Em instantes meu mentor estava ao meu lado, mas não materializado. Ele fechou os olhos, orou sobre o menino, e pouco tempo se passou quando uma senhora, já de idade avançada chamou o garoto, com um sorriso na boca.
“Venha filho, rápido, um senhor muito bondoso cedeu um emprego ao seu pai e nos deu o que comer. A mamãe já está preparando nosso almoço.
“Viva vovó. ”
Foi o grito do menino quando abraçou a velha senhora.
Meu mentor me olhou, e eu estava em prantos, chorava mais que o pobre menino. Ele me segurou pelos braços apoiando-me, pois naquele momento meu espírito estava muito enfraquecido.
“Venha. Vamos voltar. ”
***(Texto dedicado a todos os funcionários do CAPS de Avaré)













