O prefeito de Avaré, Roberto Araújo, desabafou publicamente sua frustração com o que classifica como uma sequência de denúncias falsas e infundadas que paralisam serviços essenciais e prejudicam diretamente os moradores. O caso mais recente envolve a licitação para reforço na zeladoria urbana, lançada em setembro de 2025 e travada desde novembro por contestações protocoladas no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE/SP).
O prefeito aponta que as impugnações vieram majoritariamente de “pessoas de fora do estado”, levantando suspeitas sem fundamento sobre o edital. O resultado é concreto: em pleno janeiro — período de chuvas intensas e crescimento acelerado da vegetação —, Avaré segue sem o reforço contratado. A administração depende exclusivamente do quadro próprio de servidores, que, apesar do esforço reconhecido pelo próprio chefe do Executivo, é insuficiente para atender a extensão territorial do município.
A estratégia era simples e pontual: uma contratação temporária de cerca de seis meses para suprir a demanda sazonal mais crítica. Após esse pico, os servidores municipais conseguiriam manter a rotina normal de limpeza e manutenção. Sem essa ajuda extra, a cidade acumula pontos críticos de mato alto, entupimento de bocas de lobo e acúmulo de resíduos, problemas que afetam a saúde pública, a mobilidade e a qualidade de vida de todos os moradores — especialmente nos bairros periféricos.
Roberto Araújo não esconde a indignação e atribui as manobras a adversários políticos que, segundo ele, agem de forma “covarde” para desgastar sua imagem, ignorando o custo real pago pela população. “Eles tentam manchar a minha imagem, não me deixando trabalhar e fazer a limpeza da cidade, mas esquecem que quem eles estão prejudicando é a própria população”, afirmou.
Independentemente de quem tenha protocolado as denúncias, o fato é inegável: o impasse jurídico trava ações básicas de gestão e transforma uma disputa política em prejuízo coletivo. Enquanto o TCE/SP não se manifesta definitivamente, a prefeitura remaneja equipes como pode, mas o remédio é paliativo diante da dimensão do problema.
A lição é clara: denúncias sérias e fundamentadas são instrumentos legítimos de controle social e fiscal. Denúncias levianas ou instrumentalizadas, porém, viram arma de sabotagem administrativa e castigam quem mais precisa do serviço público — o cidadão comum. Avaré merece que a zeladoria volte a funcionar com eficiência, sem que interesses eleitorais ou revanchismos transformem a cidade em palco de disputas mesquinhas. O prejuízo, infelizmente, não é político: é diário, visível e sentido na rua.













