Como Editor, dirijo-me a você leitor do Jornal A Bigorna, tendo em vista a alta repercussão da matéria sobre o fato ocorrido na Igreja São Benedito, a qual despertou críticas contra o Jornal, contra o padre e diversas postagens e até mesmo, por uma pequena parte, ofensas.
Deste modo, não poderíamos nos omitir do ensejado e mostrar ao leitor que o jornal não tem nada pessoal contra o pároco da Igreja, mas sim noticiou um fato por ele protagonizado.
Acompanhamos todas as postagens dos internautas no facebook e seus comentários, os quais, em grande relevo, respeitamos todos eles, até mesmo as ofensas.
Fizemos a matéria depois que moradores do Largo São Benedito nos contataram para ver in loco o fato de que pessoas doentes e humildes tinham sido deslocadas do lugar que ficavam à noite para pernoitar.
Notamos que algumas senhoras, em clara boa intenção, alegaram que os moradores de rua não aceitam a ajuda das casas de abrigo. As profissionais de assistência social fizeram seu trabalho e estão de parabéns.
No entanto, agora saindo da assistência social, e direcionando à psiquiatria, levamos até você leitor, que, as pessoas ali (moradoras de rua) são pessoas com problemas psiquiátricos graves e alcoolismo em fase terminal. Eles não têm mais a noção de realidade. Não são o que são hoje porque quiseram. Ninguém vira andarilho ou morador de rua porque acha bonito.
Convido (Eu jornalista André Guazzelli) a quem se interessar, a um dia se sentar ao lado de um morador de rua e conversar com ele. Você saberá quem ele foi e o porquê de se entregar ao alcoolismo. A maioria teve problemas psiquiátricos e depois se jogaram no alcoolismo. Muitos têm histórias maravilhosas e até mesmo comoventes, e, ainda, são seres-humanos com qualquer um de nós. Se um leitor que criticou acidamente os moradores de rua, um dia tivesse coragem de ouvi-lo, iria aprender muito sobre a vida e deixaria a soberba de lado.
Não somos mais que ninguém. Eles não são bandidos, são doentes, mas são tratados como “lixo” da sociedade. Conheço histórias verídicas de médicos, dentistas, engenheiros, dentre outros que tinham casa família e profissão, porém, ao adoecerem acabaram virando moradores de rua, por um infortúnio.
Cito aqui em Avaré, perdi um grande amigo. Ele era dentista, entretanto ficou doente, começou a beber, parou de trabalhar, deixou o lar e infelizmente, depois se suicidou. Leitor, será que ele queria isso para ele? Enquanto ele era dentista renomado, muitos estavam ao seu lado bajulando-o. Quando caiu, a maioria das pessoas se afastou dele. Conheço ainda um amigo jornalista, que dormiu na Praça da Sé quando estava doente e entregue ao álcool, entretanto conseguiu com ajuda sair do péssimo, e, hoje, tem uma vida normal.
Contesto aqui o papel social da Igreja. Existe uma encíclica chamada Rerum Novarum, editada pelo papa LEÃO XIII, que aborda o tema e a questão de que a Igreja tem que se engajar nos projetos sociais e acolhimento.
A encíclica critica fortemente a falta de princípios éticos e valores morais na sociedade de seu tempo e laica, uma das grandes causas dos problemas sociais. O documento papal refere alguns princípios que deveriam ser usados na procura de justiça na vida industrial e socioeconômica, como por exemplo a melhor distribuição de riqueza, a intervenção do Estado na economia a favor dos mais pobres e desprotegidos, a caridade(...)
A encíclica veio completar outros trabalhos de Leão XIII durante o seu papado (Diuturnum, sobre a soberania política; Immortale Dei, sobre a constituição cristã dos Estados e Libertas, sobre a liberdade humana) para modernizar o pensamento social da Igreja e da sua hierarquia. Em geral é considerada como o pilar fundamental da Doutrina Social da Igreja. Pelos sucessores no papado foi denominada de "Carta Magna" do "Magistério Social da Igreja".
A Rerum Novarum, bem como outros trabalhos de Leão XIII e a sua ação no longo cargo como Papa (1878–1903), deu início a uma nova forma de relacionamento entre a Igreja Católica e o mundo moderno, que consiste na abertura da própria Igreja. A Igreja começou a empenhar-se a procurar soluções, à luz do Evangelho e dos ensinamentos cristãos, para os problemas sociais vividos pela humanidade.
Embora a Encíclica enseje mais sobre o direito dos trabalhadores, ela também conduz ao fio da solidariedade humana. Destarte, o padre, antes de tirá-los do lugar onde dormiam, poderia usar mais amor e compaixão, e pedir ajuda para que os moradores de rua não ficassem a mercê do tempo.
Jesus Cristo usava muito as palavras T´oma e Hubá, que em aramaico significam amor e igualdade (iguais/gêmeos).
Jesus não se cansou de ensinar que amor: T´oma e Hubá: igualdade eram os grandes fundamentos do convívio entre os homens aqui na Terra, porque por mais dinheiro que alguns tenham, eles não são melhores que estes pobres doentes; por mais que muitos vão à missa, não são melhores que ninguém. Todos estão fadados ao mesmo fim: a morte. Lá acaba a soberba a descriminação a arrogância a maldade a incompreensão e falta de amor ao próximo.
Se tivermos um pouco mais de compreensão e conseguíssemos entender o que acontece ao nosso lado, com certeza, parte da sociedade não seria tão hipócrita e egoísta como hoje se apresenta.













