Em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira no Palácio da Alvorada, o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, definiu que Márcio França (PSB) será o vice de sua chapa na eleição de outubro. As ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) vão concorrer ao Senado.
Após a reunião, realizada pouco antes do jogo entre Brasil e Escócia, Haddad disse nas redes sociais que os três se colocaram à disposição para serem vice e que faria a escolha nesta quinta-feira.
Além de França, Tebet e Marina, também participaram do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmim e os presidentes do PT, Edinho Silva, e do PSB, João Campos. Todos posaram para fotos com camisas da seleção brasileira.
A eleição em São Paulo é considerada fundamental para Lula. De acordo com o diagnóstico da coordenação da pré-campanha do petista à reeleição, será necessário garantir um patamar de votos, no mínimo, igual ao de 2022 (44,77% dos votos válidos no segundo turno) para assegurar a vitória.
Com o anúncio na última semana das desistências de Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB), França tentou articular entre aliados de Lula a sua candidatura a governador com o argumento de evitar uma disputa restrita a Haddad e Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que deve fazer com que a eleição no estado se encerre no primeiro turno. Mas lideranças petistas barraram a iniciativa ao alegarem que a opção por dois palanques para Lula poderia confundir o eleitor. Argumentaram ainda que França roubaria votos de Haddad.
Na conversa de quarta-feira com Lula no Alvorada, a conclusão foi que França conhece mais o estado por já ter sido governador em 2018 e tem um perfil mais aguerrido para o confronto com Tarcísio. Por isso, se encaixaria melhor como vice de Haddad. O presidente disse que a escolha do seu parceiro de chapa caberia ao ex-ministro da Fazenda.
Já as duas candidatas ao Senado da chapa fizeram carreira política em outros estados antes de transferirem os domicílios eleitorais para São Paulo. Ex-ministra do Planejamento, Tebet foi senadora pelo Mato Grosso do Sul e disputou a Presidência da República em 2022 pelo MDB. No começo deste ano, deixou o partido e se mudou para São Paulo para tentar voltar ao Senado como aliada de Lula.
Já Marina foi senadora por dois mandatos pelo Acre. Em 2010, 2014 e 2018, concorreu a presidente. Na eleição de 2022, ela se reconciliou com Lula e o apoiou na disputa contra Jair Bolsonaro (PL). Filiada à Rede e já com domicílio eleitoral em São Paulo, Marina foi eleita deputada federal naquele ano. Convidada por Lula, se licenciou do cargo para assumir pela segunda vez o Ministério do Meio Ambiente.
A avaliação entre lideranças petistas é que com Tebet e Marina, Haddad terá este ano uma chapa mais forte em São Paulo do que em 2022, quando perdeu no segundo turno para Tarcísio.
Há um diagnóstico feito pelo entorno de Lula que a eleição no estado deve se encerrar no primeiro turno, já que há apenas dois candidatos com fortes (Haddad e Tarcísio). Se por um lado é arriscado não ter um cabo eleitoral em campo no estado mais populoso do país no segundo turno, os petistas entendem que Haddad terá uma votação maior no primeiro turno do que em 2022 (quando obteve 35,7% dos votos válidos) e isso pode impulsionar também a votação de Lula na etapa inicial da eleição nacional.













