Por Assis Châteaubriant- Esta semana foi quente em Avaré. Não digo do insuportável calor, mas sim dos fatos semanais que tomaram conta dos noticiários. Sou um viciado em notícias. Tento largar o vício, mas ele é mais forte, daí, que, bem daí fico lendo desde os jornais da região, os de Avaré principalmente e os da grande mídia (Estadão e Folha de SP) – enfim parte de minhas manhãs são assim.
Devido à idade, o médico me recomendou caminhadas. Não gosto de fazer caminhadas a esmo. Deste modo, resolvi, ao invés de me locomover de carro aos locais que tenho que inadvertidamente, agora, vou a pé. Não antes, claro, olhar o tempo para ver se vai chover.
Pelas andanças, pude notar uma diferença descomunal. Ao se deslocar de carro, nós perdemos muito da cidade, pois temos que prestar atenção devida no trânsito.
No entanto, ao percorrer as ruas da outrora Rio Novo, minha saudosa Avaré, percebi coisas, casas, espaços, enfim, tanta coisa que não tinha reparado por me deslocar sempre com meu carro. A diferença é tamanha, que, às vezes, você olha para tal coisa, e se pergunta, “nossa isso já estava aqui, pois nunca havia notado”.
Fiquei deslumbrado. Até mesmo no centro da cidade, muitas coisas foram descobertas. Andar com tranquilidade, é um exercício mental tão bom, que além de nos ajudar fisicamente, nos torna mais próximos da sociedade em que vivemos. Pois, em geral, nos encastelamos em nossas casas e nos trabalhos, e ali permanecemos alienados de um mundo, que, lá fora, tem muito beleza, ainda que paire a tristeza da violência.
Hoje somos uma humanidade, ou parte dela, desorientada. Achamo-nos tão humanos, mas somos ‘ocos’ por dentro.
Andando pelas ruas, notei em apenas um dia, e fiquei assustado com isso, que três carros pararam para eu passar pela faixa de pedestre. Ou seja, não me xingaram, ‘sai da frente velho’.
Nos artefatos inatos, caminhei por algum tempo, fiz tudo o que precisava e me lembrei de uma frase de Aristóteles, quando ele afirma que existe um ‘primeiro motor imóvel que tudo move sem ser movido, que tudo condiciona se ser condicionado, que tudo causa sem ser causado’.
Chatô é escritor.













