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Marcola virou chefe do PCC depois que decidiu colaborar com a polícia, diz procurador de Justiça

Por Jornal A Bigorna 09/11/2017 10:59:00 2935
Marcola virou chefe do PCC depois que decidiu colaborar com a polícia, diz procurador de Justiça

Marcola

Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, era um informante da polícia e entregou aos investigadores do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil paulista, os número de telefones usados por José Márcio Felício, o Geleião, e Cesar Augusto Roriz Silva, o Cesinha. Tudo isso para poder ascender ao comando da mais importante organização criminosa do País, o primeiro Comando da Capital (PCC). A revelação está no livro Laços de Sangue, do procurador de Justiça Márcio Sérgio Christino, responsável durante quase uma década pelas investigações envolvendo o PCC no Ministério Público de São Paulo. Seu livro tem apresentação do delegado Ruy Ferraz Fontes, então responsável pelas investigações contra o PCC.

A informação até agora mantida sob sigilo pela policia e pelo MPE está na página 105 do livro. “Depois de ascender à liderança, o vaidoso Marcola, o Playboy, almejou mais. Ele queria ser líder do PCC. Mas de que maneira ele neutralizaria Cesinha e Geleião? Ele virou um informante – foi ele quem entregou para a polícia os números dos telefones usados por Zé Márcio e por Cesinha”, escreveu o procurador. Teria sido ainda Marcola quem entregou à polícia as centrais telefônicas mantidas pela facção em 2001 e 2002.

As informações teriam sido fornecidas à polícia pela sua advogada Ana Olivato. Com a descoberta das centrais, a administração penitenciária teve o motivo para isolar os dois líderes, deixando o caminho aberto para a ascensão de Marcola. O telefone de Geleião revelou que ele ligava para uma mulher – Sueli Maria Rezende – que fazia as transferências de chamadas. Ao todo, a polícia descobriu mais de 30 centrais, segundo o procurador. Pelos telefones, então, os presos combinavam assaltos, atentados, tráfico e até sexo.

Esse foi o caso do atentado contra a delegacia de Sumaré, em 15 de março de 2002, quando a facção matou dois policiais. O atentado contra o Fórum regional de Guaianazes também foi detectado pelas escutas telefônicas. O crime aconteceu no dia 18 de março de 2002. Os ataques eram determinados por Cesinha. Geleião queria detonar uma nova megarrebelião em presídios, como a de 2001. Com base nas interceptações, até mesmo uma ligação entre uma tia de Marcola e um sobrinho de Luis Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar foi monitorada pela polícia.

Durante as interceptações, Marcola não aparecia. Quando o Deic resolveu fazer a operação para tentar desarticular a facção em 2002. Marcola, segundo o procurador foi levado sob disfarce para o Deic. Retornou então para o sistema prisional “sem prejuízo”. “Sua intenção de isolar as lideranças tinha sido bem-sucedida, enquanto ele permaneceria ativo na organização.” Depois da operação, Cesinha e Geleião foram isolados no presídio de Presidente Bernardes,  no regime disciplinar diferenciado (RDD). E assim o MPE conseguiu as provas para a primeira denúncia contra Geleião e Cesinha por chefiarem a facção. 

"Esta obra vem a público em momento oportuno, fazendo um apanhado histórico e um estudo aprofundado do nascimento e crescimento da organização criminosa", escreveu Fontes, que era delegado que chefiou a operação do Deic, sobre o livro. A reportagem do Estado contatou a defesa de Marcola no início da noite desta quarta-feira, 8, que preferiu não se manifestar sobre o assunto.

Negociação

 Em outro trecho, procurador descreve como agentes que representavam o Estado de São Paulo negociaram com Marcola para que o chefe do PCC parasse a onda de ataques contra policiais, funcionários do governo, prédios públicos e ônibus do transporte público em 2006. O procurador conta que mesmo depois do assassinato do juiz Antonio Machado Dias, corregedor de Presidente Prudente, Marcola continuou pressionando o Estado e este cedia. E cita os casos do uniforme dos presos – que deve ser laranja e por exigência de Marcola continuou bege – e o aumento do número de visitas adultas que um preso podia receber (2 de para 4).

Por fim, Marcola exigiu que fossem instaladas TVs de plasma na penitenciária de Avaré, onde estava para poder assistir aos jogos da Copa do Mundo de 2006. Como lhe negaram este pedido, Marcola determinou a realização de uma "serie de microrrebeliões". “O Estado entendeu o recado e, com receio de que fossem deflagradas rebeliões em âmbito estadual, cedeu. “As TVs foram instaladas não nas celas, mas na área comum da penitenciária. Para reagir a esses ambiente, a Administração Penitenciária resolveu isolar todos os líderes do PCC em um único presídio: a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Quando o fez, desencadeou a reação: os ataques de 2006.

Foi então que um delegado, uma advogada de uma  ONG ligada à facção e um dos corregedores do sistema prisional foram a Presidente Venceslau negociar com Marcola. Por meio de seu porta-voz, Marcola concordou em dar a ordem para cessar os ataques desde que a tropa de choque respeitasse os presos na retomada dos presídios rebelados. “Aproximadamente 24 horas depois, eles (os ataques) haviam cessado.” “Mais uma vez, Marcola havia conseguido. O Estado mandou uma equipe representando sua alta hierarquia para negociar com ele o fim de uma ação que estava corroendo a imagem do próprio Estado, a dias das eleições. Outro gol de Camacho”, escreveu o procurador.

Leia trechos do livro Laços de Sangue - A história secreta do PCC

Pág. 105 e 106: "Depois de ascender à liderança, o vaidoso Marcola, o Playboy, almejou mais. Ele queria ser o líder do PCC. Mas que maneira ele neutralizaria Cesinha e Geleião? Ele virou um informante - foi ele quem entregou para a polícia os números dos telefones usados pelo Zé Márcio e por Cesinha. Foi ele também quem indicou a existência de centrais telefônicas. É preciso esclarecer que, paralelamente a essa estratégia de Marcola, de neutralizar Geleião e Cesinha, tornando-se um informante do sistema, o sistema também tomava decisões para conter os dois, que eram fortes lideranças dentro do PCC, mais fortes que Marcola naquele momento. (...) Pelos telefones que Marcola havia fornecido, por meio de sua advogada na época, Ana Olivatto - assassinada tempos depois - usados por Geleião e Cesunha, chegou-se às centrais. E elas iriam revelar o que os membros do PCC estavam tramando. Foi um grande passo no combate à organização."(DoEstado)

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