Marilena Chauí e o mal estar na política contemporânea
Por Guilherme de Andrades
Na virada do século XX para o XXI, o enfoque global estava nas tecnologias, via processo de Globalização. A política, desde seu surgimento no Ocidente, com os gregos na Ágora, a temática segue sendo, e deve continuar, uma questão contemporânea das humanidades, sobretudo fomentada via pensamentos, que transformam o espírito humano e a Educação a longo prazo como primordial para a ação cidadã. Deve ser ressaltado que foi imperioso a separação da política dos vieses do interesse privado, demarcando a consolidação da democracia na Grécia Clássica.
A filósofa Marilena Chauí aponta o medo e impotência como sentimentos determinantes em relação a política mundial, com uma camada de jovens com ampla oposição ao esquerdismo, causada, na visão da intelectual, pelo dualismo entre a instrução e tempo necessário para formação e o uso de telas em excesso, falta intelectualidade, saber e finaliza, tal panorama seria motivado pela fato que os cidadãos da atualidade não vivenciaram as lutas pela democracia pós 1980. Ocorre a perda das relações humanas entre si, no qual o virtual acaba sendo um substituto a comunicação real, que é atemporal.
Elenca ainda o Neoliberalismo como fundamental no erigir das crises sociais, visto que é contrário aos direitos mais básicos do homem, seguindo a lógica da privatização.
Chauí aponta o desprezo pela política, sistematizado na canção de Chico Buarque, “Homenagem ao malandro”, que discorre sobre a mazela da corrupção no Brasil, associadas ao caso do Banco Master e a questão do INSS, pautas do momento. Por fim, inseriu a discussão sobre a nova lei partidária, que obrigará os partidários a permanecer na coligação durante os 4 anos de mandato, a partir do parâmetro mundializado que, essencialmente, apenas duas ou três facções políticas disputam eleições, enquanto no Brasil, seis ou sete, formando clubes ou oligarquias regionais para atender os próprios interesses de elite em detrimento do interesse popular.
O medo é colocado em decorrências da tirania de Trump na contemporaneidade, que usa o argumento de paz para espalhar o terror, seja com guerras sem aval do Congresso, sequestro de presidentes ou pressões com base no tarifaço ou mais recentemente, com sanções a Cuba. Na esfera interna, a Ditadura Militar no Brasil permanece na memória, devido seu caráter sanguinário, cruel, covarde e corrupto, bem como a expansão da violência, incrustada no brasileiro.
É contundente a defesa da luta democrática no Brasil frente as fascismo iminente da extrema-direita, apoiada cegamento e de forma não consciente pela classe média. Nas palavras de Marilena, “a mobilização democrática deve ser eterna”.
Sobre Guilherme de Andrades:
Professor/Historiador, especialista em História e Geografia do Brasil, bem como em Metodologias do Ensino. Possui certificação USP sobre Geopolítica Contemporânea.













