Policiais civis de Franco da Rocha, Grande São Paulo, são investigados pela suspeita de escoltar uma carga milionária de cocaína, apreendida por eles na região de Rosana, cidade do interior paulista a quase 800 km de distância da área de atuação da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), na qual estão lotados. A informação é do jornal Metrópoles.
Com um mandado de busca vencido, os policiais abordaram um caminhão que transportava grãos de soja, no último dia 22. Sem mesmo conferir o que havia na carga, prenderam o motorista, algemando-o, e apreenderam o veículo.
A condução da carreta foi, então, assumida por um policial civil, que passou a ser escoltado por uma viatura da Dise de Franco da Rocha, na qual o caminhoneiro foi colocado. O comboio chamou primeiramente a atenção de policiais militares rodoviários, que realizaram uma abordagem.
Fontes do interior paulista afirmaram em sigilo, que a Dise da região metropolitana investigava um caso de tráfico de drogas e, por meio da Justiça de Campinas, conseguiu autorização para apreender um caminhão — abordado 39 dias após a expedição do mandado de busca e apreensão, que estava vencido desde 23 de abril.
Após a abordagem da PM, policiais federais da região de Sorocaba também abordaram o comboio da Dise. Os policiais civis argumentaram para os militares e a PF que o veículo estava apreendido e, na delegacia da Grande São Paulo, a carga de soja seria submetida a um pente fino, porque havia a suspeita de que nela haveria cocaína escondida.
Regra da Delegacia Geral
O argumento dos policiais da Dise gerou desconfiança por descumprir portaria da Delegacia Geral de Polícia, de 2023, que dita o manual de conduta da instituição. A legislação deixa claro que, diante da fundada suspeita ou urgência — nesse caso de existir cocaína oculta na carga de soja —, os policiais deveriam apresentar o veículo imediatamente ao DP mais próximo da região, para que a vistoria seja feita imediatamente.
Ao começarem a rodar com o caminhão, partindo de uma cidade que faz divisa com o Paraná e Mato Grosso do Sul até a região metropolitana de São Paulo, os policiais civis não apenas descumpriram a norma da Delegacia Geral, mas acenderam um sinal de alerta na PM e na PF sobre o real interesse por trás da abordagem interestadual.













