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Morto há 20 anos, Paulo Francis foi farol cultural

Por Jornal A Bigorna 05/02/2017 23:42:40 1426
Morto há 20 anos, Paulo Francis foi farol cultural

"O diabo é que um dia desses aqui escorregamos a uma guerra nuclear por culpa desses desclassificados [os políticos] e da massa boçal. Espero poder sumir em tempo, se bem que não haverá para onde, provavelmente."

Parece de agora, sobre Donald Trump, seus apoiadores e seu eleitorado, mas o texto é de 1980. Está numa coletânea recém-lançada de Paulo Francis, "A Segunda Mais Antiga Profissão do Mundo".

Fez  20 anos que Francis morreu, em Nova York, aos 66 anos.

Carioca de Botafogo, ele foi até os 27 um autodefinido "vagabundo". Na imprensa, começou na crítica de teatro, migrou para o jornalismo político, foi um dos nomes-chave do "Pasquim", mudou-se para os Estados Unidos e entrou na minha vida, e de tantos de minha geração, a partir de 1975, quando passou a escrever na Folha, como correspondente em Nova York e depois colunista da "Ilustrada".

Seus textos traziam as referências mais eruditas, mas em linguagem informal, ritmo e sintaxe de conversa de amigos. Era um intelectual antiacadêmico. Passou para a história como um polemista, o que de fato era, mas não só.

Para quem hoje tem acesso a todo tipo de informação, é inimaginável a importância que Francis teve como farol cultural. Comentava a " New Yorker", a "New York Review of Books". Escrevia sobre Gore Vidal, Normal Mailer, os Georges Plimpton e Steiner. São incontáveis as referências que Francis trazia a nós, jovens com alguma aspiração intelectual, mas nenhum mapa em mãos.

Acusam-no até hoje de inventar, de chutar, de não checar. Mas era o que tínhamos. E era suficiente.

Alta cultura

Uma crítica: suas lentes grossas focavam na alta cultura. Ele trafegava em música clássica, filosofia, psicanálise, história, com um ou outro raro aceno

Mas música pop, rock, quadrinhos, videogames, nada disso ele assimilou ou fez questão de acompanhar. Quando falava de algo do tipo, era como esquisitice, anomalia vinda da indústria cultural.

Nisso, era diferente de seu amigo intelectualmente mais próximo, o também jornalista Ivan Lessa (1935-2012). Lessa se sentia tão à vontade tratando de Italo Calvino e Miles Davis quanto de samba antigo e teatro de revista. Ele se mandou para Londres em 1978 e escrevia sobre o "Bananão" como uma memória distante, uma abstração.

Já Francis vivia em Nova York, mas seu espectro pairava sobre o Brasil. Fazia muitas alusões ao passado carioca, porém o Brasil de seus textos era também o país atual, da transição democrática, de hiperinflação, do isolamento cultural incurável, do pântano da política.

Em 1990, deixou a Folha, em desavença. O ex-trotskista virou cada vez mais à direita, deslumbrou-se com Collor, aproximou-se de políticos que antes dizia desprezar. Suas colunas, agora no "Estado de S. Paulo", ficaram marcadas pelas diatribes antiesquerdistas.

E foi ficando cada vez mais famoso, por suas participações na TV.

Uma dessas custou-lhe a vida. No programa "Manhattan Connection" (então no canal GNT), fez acusações generalizadas de corrupção contra diretores da Petrobras. Tomou de volta uma ação milionária na Justiça dos EUA. Angustiado com uma possível derrota, morreu do coração no dia 4 de fevereiro de 1997.

Imagino que gerações mais novas tenham guardado de Francis justamente essa sua última fase. Os bordões ("Waaaaaaal") e a voz em crescendo pastoso. É pouco.

Seu melhor livro é de memórias (publicado aos 50 anos), "O Afeto que se Encerra" (1980, fora de catálogo). Escreveu também romances, cujo não reconhecimento como grandes obras o enfurecia. Pode não ter sido um romancista maior, mas era um grande escritor.

Em "A Segunda Mais Antiga Profissão do Mundo", lembra assim do amigo Antônio Maria: "Eu vi Maria ser colocado numa gaveta do cemitério São João Batista. Não sei em qual mês. Mas foi o mais cruel. Ele tinha apenas 44 anos. Acho que ele me achava um homem ridículo, mas eu gostava muito dele".

Sou da geração que gostava muito de Paulo Francis. Que falta ele faz.(DoEstadão)

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