Com dois meses de antecedência, tomou posse nesta sexta-feira, 17, o novo comandante-geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Nivaldo Cesar Restivo, de 52 anos, ex-chefe do Batalhão de Choque. Ele irá substituir Ricardo Gambaroni, que inicialmente deixaria o cargo em maio, ao completar o período máximo de cinco anos na função de coronel. Pelo mesmo motivo, o novo ocupante poderá permanecer na função até fevereiro de 2018. A cerimônia ocorreu na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, no bairro Água Fria, zona norte de São Paulo.
Na primeira entrevista após a posse, Restivo disse que a atuação da Polícia Militar no Carandiru em 1992 foi "legítima e necessária". Tenente do Segundo Batalhão de Choque da PM em outubro daquele ano, ele estava em serviço no dia do Massacre do Carandiru e foi denunciado à Justiça em processo extinto após prescrever. Restivo afirma, contudo, ter sido responsável na data exclusivamente pelo suprimento de material logístico da tropa. “Tenho convicção de que a atuação da Polícia Militar foi legítima e necessária”, afirmou sem entrar em detalhes sobre o episódio, que resultou em 111 mortes.
Restivo ingressou na Academia de Oficiais do Barro Branco em 1982, passou pelo Batalhão de Choque, a Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), além de outros destacamentos da PM.
O novo comandante declarou que sua gestão terá como principal preocupação o combate a crimes contra a vida e o patrimônio, como roubos e furtos, pois são os que, segundo ele, "aumentam a sensação de insegurança". "Nossa preocupação é manter todos os indicadores em patamares bem reduzidos", afirmou. À reportagem, o comandante não quis comentar a proposta enviada à Assembleia Legislativa pelo governo Geraldo Alckmin para aumentar o teto da aposentadoria de policiais militares para 60 anos. “Vou deixar que os deputados debatam isso", respondeu.
Em seu discurso, antecipou querer tornar a instituição mais forte ao investir na valorização e melhoria profissional da PM, além de qualificar a gestão, reduzir despesas e reduzir os índices de vitimização. “A nossa função sempre será a de preservar vidas, o que inclui vítimas, infratores da lei e o próprio policial militar", disse.
Presente no evento, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) chamou a Polícia de Militar de “talvez a melhor da América Latina”, elogiou a gestão do comandante anterior e chamou Restivo de um “homem de estratégia, larga experiência e capaz de fazer um grande trabalho”. “Não é uma questão de linha dura ou não, é de inteligência e estratégia”, disse.
Também presente na posse, o secretário estadual de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, afirmou que a PM está em “absoluto equilíbrio institucional” e descartou qualquer possibilidade de que se repita em São Paulo o motim da PM que ocorreu no Espírito Santo neste ano. “Tenho certeza absoluta que a disciplina e a hierarquia das nossas polícias garantirão a manutenção da ordem pública”, defendeu ele, que descartou um anúncio de aumento salarial para a categoria enquanto não houver “melhora na condição financeira” do Estado.
Além disso, Barbosa Filho antecipou ter encaminhado para a assessoria técnica da Assembleia Legislativa uma proposta para permitir que um comandante da PM permaneça no cargo até o fim do mandato do então governador, mesmo que ultrapasse o teto de cinco anos no cargo de coronel, o que poderia garantir a permanência de Restivo no cargo até o fim do próximo ano.(DoEstadão)













