Por André Guazzelli – Acompanhei os 4 anos da gestão de Paulo Dias Novaes Filho, o tradicionalmente chamado e conhecido por Poio ou Dr. Paulo.
Não existe “mea culpa” na política. Ou se entra para se lambuzar e esparramar sua vida, ou não se ingressa na vida política.
Poio Novaes recebeu uma prefeitura sucateada de várias gestões anteriores. Depois de Miguel Paulucci, os prefeitos posteriores conseguiram minguar Avaré até a cidade chegar ao fundo – literalmente – do poço.
O peemedebista conseguiu uma vitória em 2012 que poucos chegaram a acreditar. Começou seu governo com muitos assessores de ordem questionável, entretanto, mesmo com resultados poucos agradáveis, os manteve até o fim.
Pagou mais pela omissão de não demitir quem não correspondeu ao cargo. Seu jeito era de não gostar de se aparecer muito. Os dois primeiros anos de Poio tiveram bons resultados ao trazer bases de saúde, ao conseguir cumprir com muitas dívidas que eram oriundas de outras gestões, mesmo com a cidade de Avaré estando superendividada.
A AvarePrev é um órgão criado para a aposentadoria e beneficios dos funcionários públicos. Sua invenção foi um erro terrível, pois um prefeito teve a façanha de comprar e aplicar muito dinheiro da Caixa de Previdência em ações podres, e o Instituto perdeu muito dinheiro com isso. Prova de tal fato, que existem ex-secretários com bens bloqueados porque compactuaram na época com as esdrúxulas decisões que minaram a AvarePrev, e que hoje a prefeitura ainda tem uma dívida quase que impagável com a AvarePrev, e, por isso, não pode receber muitos tipos de financiamentos federais, o que atrasa o desenvolvimento necessário da cidade.
No entanto, o prefeito falhou muito na Educação, na gestão de planejamento e infraestrutura, principalmente ao não conseguir terminar o Novo Pronto-Socorro, que herdou do governo passado. Um erro brutal de gerenciamento.
Depois, nos últimos dois anos, quando o relógio parece “andar” mais rápido, Poio não conseguiu ter uma Secretaria de Meio-Ambiente que funcionasse. Não conseguiu gerenciar a limpeza urbana a contento, não conseguiu dar mais qualidade na Educação, ao ponto de não saber que havia dinheiro em uma conta da Educação parada, sem dar o devido investimento no setor.
Tentou equalizar o funcionalismo municipal, ao reduzir drasticamente horas-extras, que pouco surtiram efeito e, ainda causaram embaraços administrativos. No final do seu último ano de mandato tendo que dar destino a verbas do Fundeb, comprou muitos equipamentos e centenas deles desnecessários, como máquina de lavar roupas para escolas, e se esqueceu dos professores, que poderiam ter recebido gratificações do próprio Fundeb, que a própria lei autoriza.
Confesso que pouco estive com o ex-prefeito, mas notei em seu último ano, um homem abatido que aparentava olhar no calendário para ver se ainda faltava muito para continuar no poder.
Enfim, a gestão de Poio acabou. O ex-prefeito poderia ter feito mais e muito melhor, só não o fez porque se cercou de muitos nomes que não somaram nada em seu governo. Seu partido – o PMDB - chegou a perder até a uma vaga na Câmara, ao não conseguir eleger depois de muitos anos, sequer um vereador. Tudo reflexo de uma gestão turbulenta internamente. Teremos muitos outros prefeitos, e, oxalá, quem sabe um dia poderemos escrever: “Agora sim, temos um bom administrador.
Ao término, teve a hombridade de ir à Câmara e passar as chaves da prefeitura ao prefeito eleito. O que muitos outros políticos derrotados, não tiveram a coragem de fazer.
Poio - agora - volta a ser médico. E que tenha muita sorte no retorno a vida de um cidadão comum.













