Por André Luis - O raio de sol estava tão avassalador naquele dia, que, e, mesmo debaixo de uma árvore, uma mulher tentava proteger seu bebê de colo. Transpirava e a criança chorava. Não sabia a quanto tempo estava ali. Ou melhor, madrugara naquele lugar, depois que o marido lhe tocara de casa à noite.
A fome era cada vez mais densa. Não comia nada há horas e o bebê também. Serrou os punhos e pensou em Deus. Por que havia abandonado uma criança daquele modo. Ela tudo bem, poderia sair e encontrar outro local, e até mesmo um emprego, mas não uma criança inocente, que pranteava de fome, sem saber de nada.
De repente olhou para seu lado esquerdo e viu um homem trôpego, porém bem-vestido, o qual caminhava com a ajuda de uma bengala, e, que, com certeza, passaria por elas, como tantos outros passaram e sequer olharam para ela.
Pouco a pouco o homem foi se achegando, e quando deu por si, ele estava ali, em pé, ao seu lado. Com dificuldade o homem agaixou-se e ela se contraiu. Estava com medo. O homem sorriu-lhe, e, naquele exato momento, a dor e a tristeza que lhe assolavam, praticamente sumiram.
A avenida estava movimentada, pois já passavam da meio-dia. O homem voltou a sorrir e disse-lhe que ficasse ali. Logo voltaria. Mesmo com medo ela pensou, que tudo estava nas mãos de Deus, e um pensamento veio-lhe à mente, a deixando mais calma.
Pouco tempo depois, o mesmo homem voltou. Desta vez, ela não teve medo e olhou-o. Suas roupas eram velhas, mas limpas. Em suas mãos estava uma marmita de comida, e, noutra uma enorme mamadeira.
Ele a fitou e não disse nada. Apenas estendeu tudo a mãe que ali perecia. Ela imediatamente, sem sequer agradecer, tratou de dar o leite à criança. Logo depois, foi sua vez de comer vorazmente, tamanha a fome.
Após algum tempo, ela olhou novamente ao seu lado, e viu que, mesmo com dificuldades, o homem estava sentado e tinha às costas apoiadas na parede. Só então agradeceu e pediu que Deus o abençoasse.
O velho homem voltou a sorrir.
“Ele” já me abençoo. ”disse.
Ao contínuo, retirou uma caneta e um pedaço de papel, e escreveu poucas linhas.
Com mais dificuldade ainda, se levantou e quase caiu, o que deu um susto na mulher e ela notou que ele tinha uma perna mecânica. A muleta fez o papel de apoiá-lo.
Ele chegou perto da mãe. Ela notava que, embora não sorrisse continuamente, parecia que seu rosto era repleto de alegria e esperança. Entregou o papel a mãe e disse:
“Aqui tens um endereço. Vá logo lá. Não precisa falar nada. A mulher que está lá já sabe que você aparecerá. Lá terás a comida que precisa para vocês, duas criaturas divinas. Daquele lugar, você reconstruirá sua vida. ”
A mulher, então, começou a chorar e se lamentar.
“Estás nervosa agora, o choro é passageiro como a violenta chuva uma hora passa. Apenas tenha uma coisa dentro de você. Fé. ”
Dito isso ele saiu andando, sem dizer mais nada. Ela o olhava. Pasma, e, aos poucos, ele foi sumindo de sua vista.
Depois de anos sendo ajudada pela tal mulher, a mãe se tornara uma habilidosa costureira. A filha estava com saúde. Enquanto costurava, um vento soprou-lhe agradavelmente, e ela lembrou do homem que nunca mais tinha encontrado.













