Por Assis Châteaubriant – Assisti ao Roda Viva, onde Leandro Karnal e Felipe Pondé dois renomados eruditos explanaram como estão enxergando a atual sociedade, a chamada pós-moderna. Eles aviltam que ainda caminhamos devagar, e que as Redes Sociais deram voz aos idiotas, mas, como disseram, até os idiotas tem direito de se expressarem. Porém, na medida do impossível, noto que as Redes Sociais, e seus asseclas, são mais usados para que as pessoas se apareçam. Poucos estão engajados em algo altruísta ou até mesmo na política e preocupação com sua cidade. Concordo ainda, quando Pondé fala que a língua-falada foi inventada para dizer na maioria do tempo bobagens e falar mal dos outros.
Vivemos numa “era” em que corremos atrás da perfeição, e, deste modo, caímos na armadilha do cotidiano, da mesmice. Levantar, trabalhar muito, comer e dormir. O ser-humano não sai disso. A rotina hoje impera, graças ao capitalismo selvagem de que temos que ter cada vez mais.
A busca pela felicidade é cada vez mais adjacente. Hoje eu não sou, estou. A sociedade virou uma fábrica de máscaras. No trabalho você é uma pessoa, em casa outra, só é outra e, por assim, vai vivendo no limite.
A sociedade imposta ao homem, a atual, é vã e mesquinha. Não é o homem quem escolhe a sociedade em que vai viver, mas sim a sociedade que o acolhe quando ele nasce. O ser-humano não tem escolha. Mas pode escolher ser mais dono de si mesmo, e não se deixar subjugar pela sociedade moderna. Entretanto, é mais fácil acompanhar o rio, do que nadar contra a correnteza.
Criamos nossa falsa realidade, a partir de contornos psíquicos que moldam a nossa mente através da sociedade. Hoje o jovem que tem mais de 5 mil amigos no facebook, e muitos “likes”, se sente a pessoa mais feliz no mundo. Por não ter experiência de vida, a vida digital o acolheu e o dominou.
O ser-humano prefere amizade virtual, pois a pessoal – a verdadeira – é diferente, traz problema, frustrações e, às vezes, até tristeza. É melhor ficar na rede, sair na balada, viver por alguns segundos com gente de carne e osso e, de preferência que esteja feliz (mesmo que não esteja), e depois voltar para a realidade virtual, mais segura e aconchegante.
O homem, pouco a pouco está se desligando dos demais, ficando apenas “conectado”, afinal, além de mais seguro, se houver um problema entre os supostos amigos, basta deletá-lo ou bloqueá-lo. Uma visão simplista da vida.
Atualmente, o homem só pensa em si mesmo, e prefere que os outros fiquem o máximo possível longe dele. O contato, parece que deve ser ínfimo, a fim de não haver muita exposição de um para outro.
Enfim, criamos hospícios, dizia o filósofo Foucault, para dizermos que, quem está do lado de fora é normal.
Vivemos a Era do Perfeito Imperfeito!
Chatô é escritor.













