Por Assis Châteaubriant – Já esperava que as abstenções e votos nulos fossem ser grandes nestas eleições, e não só em Avaré, mas outras muitas cidades os prefeitos eleitos perderam para os “não votantes” – àqueles que sequer tiveram a intenção de escolher um mandatário.
Os números são preocupantes. Cerca de 25 milhões de cidadãos brasileiros aptos a irem às urnas deixaram de votar nos candidatos a prefeito e vereador no primeiro turno das eleições municipais, seja por não terem comparecido às secções eleitorais, apesar da obrigatoriedade do voto – o que configura abstenção –, seja por terem votado em branco ou, principalmente, anulado o voto.
Aqui em Avaré, segundo o jornalista Alexandre Tanigushi, os votos de todos os eleitores, não somente os votos válidos, mas de todos os que tem título eleitoral, também venceram o primeiro colocado.
Preocupante o fenômeno da abstenção somado aos votos brancos e nulos é um indício claro da insatisfação e da falta de confiança dos brasileiros nos governantes e na chamada classe política.
Na eleição passada, salvo melhor juízo, até mesmo Poio Novaes perdeu para os que não querem votar.
Já o Zé Santos Peres disse que o eleitor optou por não votar por entender que está tudo bem, para ele tanto faz um ou outro: as farinhas apresentadas são do mesmo saco, deste modo, o eleitor anula ou não vai votar porque nenhum dos candidatos merece seu apreço.
Enquanto isso, a “nova” Câmara terá caras muito novas e esperamos que os novos vereadores possam entrar e sair de cabeça erguida. A sua função é fiscalizar e levar ao prefeito os anseios populares. Sem demagogias, os vereadores devem trabalhar pelo e para o bem da cidade, principalmente tentando junto a seus deputados, verbas que venham ao encontro das necessidades do município.
O recém-eleito prefeito terá uma bomba relógio em seu colo. Dia 05 tem que pagar os funcionários públicos e, dinheiro mesmo vai ser raro. O governador do estado de SP, Geraldo Alckmin já foi à imprensa e declarou que os repasses cairão cerca de 15% ano que vem.
Deste modo, o prefeito terá que ser um superadministrador, pois terá poucas verbas para todo o seu plano de governo. E como diz um velho adágio popular: “"Quem espera por sapatos de defunto toda vida anda descalço”. Ou seja, não poderá culpar nenhum de seus antecessores, inclusive seu pai. Foi eleito para resolver e não para reclamar.
Chatô é escritor.













