Durante a última semana, assisti a uma análise detalhada do cientista político e especialista em geopolítica Heni Ozi Cukier, que é mais conhecido na internet como Professor HOC, no Flow Podcast.
Na oportunidade, discutiu-se os desdobramentos e as justificativas por trás da captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Para o analista, o evento não é apenas um episódio isolado de intervenção, mas um reflexo da profunda crise e das limitações do Direito Internacional contemporâneo.
O argumento central de HOC reside na premissa de que o Direito Internacional, como concebido hoje, possui falhas estruturais graves. Segundo o professor, o sistema carece de uma "polícia global" capaz de impor regras, o que frequentemente empurra as relações entre potências para a "lei do mais forte". Ele destacou que, ao contrário do direito doméstico, as leis internacionais não possuem mecanismos ágeis de atualização ou emendas, tornando-se obsoletas diante de crises dinâmicas.
Para justificar a ação americana, HOC pontuou que o governo de Nicolás Maduro já operava à margem da legalidade internacional muito antes de sua captura. O especialista classificou o regime como um "grande violador" de normas, citando dois pilares principais, sendo o primeiro a destruição econômica que resultou no êxodo de mais de 8 milhões de venezuelanos é vista como uma violação massiva de direitos humanos em um contexto de não guerra, e o segundo, o envolvimento do regime em crimes transnacionais retiraria sua legitimidade institucional perante a comunidade global.
Sob a ótica do realismo político, o Professor HOC argumentou que os Estados Unidos agiram em um cenário de autodefesa e proteção de interesses. "Não é que [os EUA] escolheram ser um violador, mas lidam com uma realidade onde ou ficam sentados passivos, ou vão lidar com a situação como ela é", afirmou o professor. Nesse sentido, a captura seria uma resposta pragmática para neutralizar um agente desestabilizador na região.
Questionado sobre se a ação de Donald Trump abriria precedentes para que países como Rússia e China avancem sobre territórios como a Ucrânia ou Taiwan, HOC foi enfático ao discordar. Para ele, as ambições dessas potências seguem lógicas de política doméstica e áreas de influência que independem das ações americanas na América Latina.
O professor concluiu que o debate sobre a legalidade da captura é frequentemente obscurecido por "ferramentas retóricas" ideológicas, onde críticos apontam o dedo para os EUA, mas ignoram as violações sistêmicas cometidas pelo regime venezuelano ao longo de décadas, de modo que apequenar o assunto apenas como “Trump libertador” ou “Trump ladrão de petróleo”, nunca nos trará uma resposta adequada para esse assunto, que é complexo.
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Assista à entrevista completa clicando aqui: https://www.youtube.com/watch?v=9exLQRpJHGA
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