Escrevo essa coluna na cidade de Santos, enquanto participo da 7ª Conferência do Distrito 4.621 de Rotary International.
Já estive aqui antes, mas da primeira vez, tinha quatro anos. Das demais, sempre para embarcar no Porto.
Agora, que vim para ficar uns dias, posso dizer que há cidades que existem no mapa. E há cidades que existem na história.
Santos é das raras que habitam os dois lugares ao mesmo tempo — e, ainda assim, segue sendo subestimada por brasileiros que cruzam o país inteiro para conhecer o que está, literalmente, a uma hora da maior metrópole da América do Sul.
Permita-me ser direto: Se você ainda não veio a Santos, você está vacilando!
Fundada em 1546 é, portanto, mais velha do que muitos países que hoje nos ensinam sobre civilização. Santos carrega no seu traçado urbano as cicatrizes e as glórias de cinco séculos de Brasil.
Foi por seus cais que o café saiu para o mundo e fez a fortuna que ergueu São Paulo. Foi pelo seu porto que chegaram imigrantes, ideias, sonhos e conflitos que moldaram a nação. Ignorar Santos é ignorar um capítulo inteiro da história que nos fez ser quem somos.
O Porto de Santos é o maior complexo portuário da América Latina. Soja, açúcar, contêineres, commodities de toda espécie entram e saem por ali em um fluxo que sustenta a balança comercial brasileira.
Olhar para o canal do porto — que separa a ilha de Santos do Guarujá — é entender, de forma imediata, o que significa ser um país continental que depende do mar para existir no mundo.
E a vista ainda é espetacular!
A orla que entrou para a história:
Quem chega à beira-mar de Santos encontra algo incomum: Um jardim.
Não um canteiro, não uma faixa de grama. Um jardim monumental, com mais de 5 quilômetros de extensão, que emoldura sete praias contínuas e garantiu à cidade um lugar no Guinness Book como o maior jardim frontal de praia do mundo.
Pelé nasceu aqui:
Não há como falar de Santos sem falar de Vila Belmiro. O Santos Futebol Clube não é apenas um time — é um fenômeno cultural que projetou o nome desta cidade para além de qualquer fronteira. Foi aqui que Pelé se tornou o maior jogador de todos os tempos. Foi aqui que Neymar deu seus primeiros passos rumo ao estrelato global.
E os prédios tortos? Um acidente que virou identidade:
Há ainda uma curiosidade urbana que resume bem o espírito de Santos: Seus prédios tortos.
Construídos entre as décadas de 1950 e 1960, alguns edifícios da orla apresentam inclinações visíveis — resultado do solo arenoso e argiloso que não suportou o boom imobiliário do século passado.
Hoje eles são monitorados e submetidos a processos de engenharia para continuarem de pé, em segurança.
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