Constantemente, o ato de reler uma mensagem antes de enviar, para ter certeza que não foi invasivo ou soou como grosseria, é comum ensaiar e preparar respostas a críticas que podem ser uma possibilidade. No simples ato de descansar, ocorre a necessidade de monitorar, o que também se tornou norma, em algum nível ou aspecto.
É predominante uma vigilância, no sentido inicial de precaver, que no fim, desemboca numa prisão, com uma tentativa de vigiar o entorno de si, antecipa ações e reações e julgamentos, todavia, a insegurança é simultânea e insistente, logo, não há noção de segurança. É construído desta forma o paradoxo, quanto maior a vigilância, menor a segurança, gerando a exaustão do ato de tentar proteger-se.
É erigida a partir disto, a vigilância como estrutura: o sujeito como vigilante de si, sem, todavia, existir um perigo real, é algo interno, como um inspector prisional de si. A partir da filosofia de Michel Foucault, aponta-se que o uso da força não está associado ao poder na modernidade, pela interiorização do vigiar, ou seja, a consciência que tudo é observado a todo tempo. O homem passa a ser detento e inspetor em si mesmo.
A vida contemporânea é pautada pelo ato de julgar ou avaliar, o paradoxo do resultado a todo custo. Deve-se investigar a origem das avaliações: a família, nas redes sociais ou no trabalho, que contribuem na fabricação dos critérios que os seres internalizam para julgar a si mesmo, o que gera questionamentos como: “fui produtivo?”, a partir de uma norma estabelecida por um padrão ou autoridade invisível. Logo, o questionar é essencial. O próprio indivíduo busca a aprovação, ao se expor nas redes, espera-se uma posição do outro, ele mesmo cria as condições para ser julgado por um olhar alheio, o que abre brecha para a conscientização.
Em síntese, o sujeito humano nunca se sentirá seguro em absoluto, o que provocará o esgotamento de si.
Sobre Guilherme de Andrades:
Professor/Historiador, especialista em História e Geografia do Brasil, bem como em Metodologias do Ensino. Possui certificação USP sobre Geopolítica Contemporânea.













