“No momento temos uma variedade pequena de carne, por problemas que estamos enfrentando com fornecedores”; “Agora não tem frango, pernil e fígado”; “O contrato foi cancelado porque a empresa começou a entregar carne de péssima qualidade”; “Não posso falar que o cardápio é seguido à risca de segunda a segunda”, as frases são da nutricionista da Secretaria da Educação, Ana Paula Souza Ramos, durante a última sessão da Câmara de Avaré.
A sessão contou com a presença de Ana Paula e da secretária de Educação, Lúcia Lellis, que foram ao Legislativo atendendo a um pedido do vereador Ernesto Albuquerque (PT), que solicitou a presença a secretária para esclarecer denúncias feitas pelo presidente da Casa, Denilson Ziroldo (PSDB), em março deste ano. Estiveram presentes também, na área reservada ao público, várias diretoras das escolas municipais, acompanhando os esclarecimentos e questionamentos.
“Em março, mostrei imagens dos problemas que algumas escolas enfrentavam com a merenda e fui muito criticado por isso. Logo depois o jornal A Comarca também publicou uma matéria sobre o assunto e o governo desmentiu, o mesmo aconteceu com o vice-presidente da Câmara, Roberto Araujo (DEM), que também denunciou e foi acusado de sensacionalismo, no entanto, o que ouvimos na noite de segunda-feira foi justamente o contrário, isto é, que tudo que denunciamos tem fundamento”, desabafa Denilson Ziroldo.
Na última segunda-feira, Lúcia Lellis e Ana Paula Souza Ramos reconheceram que, no início do ano, enfrentaram alguns problemas com a merenda, e que foi necessário, até mesmo, romper o contrato com um fornecedor, por causa da péssima qualidade da carne fornecida pela empresa. “O cardápio tem alteração sim. Agora, no momento, não tem frango, pernil e fígado para a merenda porque o contrato foi cancelado. A empresa começou a entregar carne de péssima qualidade, chegamos a encontrar até um corpo estranho no meio da carne, para mim era um pedaço de luva”, afirmou a nutricionista.
Ana Paula Souza Ramos também reconheceu que chegou a devolver o pão que é fornecido para a merenda, por não ser de boa qualidade.
Qualidade essa que também foi denunciada por Ziroldo e chegou a fazer com que a Prefeitura de Avaré cortasse o fornecimento do produto para os funcionários da Câmara.
“Ainda com relação ao pão, denunciei também que alunos eram obrigados a comerem pão sem qualquer recheio e fui muito criticado por isso, porém, na noite de segunda-feira, a própria secretária reconheceu que teve problema com o fornecimento de requeijão no início do ano! E foi justamente quando eu fiz a denúncia, portanto, não houve sensacionalismo, apenas denunciei uma situação que vi”, afirma o vereador.
“Nesta mesma noite, a nutricionista, ao ser interpelada pelo vereador Roberto Araujo sobre o fato de merendeiras gastarem litros de vinagre com a carne, para tirar a gordura do produto, admitiu que isso poderia ser verdade, que por isso o fornecedor foi desligado”, continua Denilson Ziroldo.
Diante das diretoras presentes, Ziroldo afirmou que em momento algum criticou ou falou mal das escolas de Avaré e de seus funcionários, mas que apenas cumpriu seu papel de vereador, que é de fiscalizar e prezar pelo bem dos munícipes, principalmente quando envolve crianças. “Tudo o que eu disse naquela época foi comprovado, fotografado e filmado, realmente tinha problemas e foram resolvidos, tanto que esta semana visitei novamente algumas escolas e não tinha mais o famoso pão com “taio” e nem esta carne com cheiro de gordura”, disse durante a sessão da Câmara. Denilson Ziroldo voltou a ressaltar que, como vereador, ele é pago para fiscalizar e atender aos anseios da sociedade e não de determinado grupo político que esteja no poder.













