A agenda do desembargador Ivan Sartori estava cheia em 22 de novembro de 2012. Então presidente do Tribunal de Justiça de SP, ele viajaria a Brasília com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para participar de um evento no Supremo Tribunal Federal.
Naquele dia, Sartori saiu de Santos dirigindo sua Mercedes com destino a São Paulo. Na chegada à capital, ao trocar de faixa em uma avenida da zona sul, atropelou a moto Honda Biz guiada pela consultora Joelma Ramos, 33.
A motocicleta ficou destruída, com perda total. Desacordada, Joelma foi socorrida às pressas a um hospital.
O acidente, porém, não atrapalhou os planos do magistrado. Ele pegou o avião com Alckmin e foi ao evento de posse de Joaquim Barbosa na presidência do STF.
Para isso, o magistrado teve a ajuda de policiais militares. Além de desobrigá-lo a comparecer à delegacia para dar explicações, esses agentes –cedidos ao TJ– ainda o ajudaram a se livrar de qualquer investigação sobre o acidente.
Tudo começou no quarto do hospital. Assim que recuperou a consciência, ainda na maca e em circunstâncias desconhecidas, a vítima foi convencida por PMs a assinar uma declaração na qual renunciava a qualquer intenção de processar o magistrado.
O documento foi entregue pelos PMs ao delegado João Doreto Campagnari quase quatro horas após o acidente. Do local do atropelamento até o 35º distrito, onde foi feito o registro, o percurso dura 20 minutos –o acidente ocorreu às 9h, e só foi comunicado à Polícia Civil às 12h51.
Ao contrário do padrão em acidentes dessa gravidade, o delegado não teve contato pessoal com Sartori nem com a vítima. Segundo relatou a colegas, o delegado nem mesmo conseguiu localizar o hospital onde Joelma foi levada –uma unidade em Diadema.(Com informações da F.S.Paulo)
A foto foi divulgada pelo Jornal A Folha de São Paulo: Desembargador Ivan Sartoti recebe medalha de homenagem da PM em 2013.













