Antes de detalhar-vos o motivo e o porquê da denúncia, gostaria de parabenizá-lo pela atitude de responder uma matéria do cunho de sua Secretaria (SAP), mesmo que tenha sido num tom pouco cordial.
O senhor Secretário ao tecer críticas ao jornal declarando que a matéria é inverídica e desprovida de credibilidade, mostrou o que temíamos. Existe certo corporativismo dentro da SAP. O que o Secretário poderia externar era de que poderia abrir uma investigação para apurar a verdade dos fatos, mas preferiu ficar na seara de tentar desacreditar o jornalista e a denúncia.
Cabe salientar, que, em momento algum, a matéria editada por este jornal, citou que existe morte ou agressão de presos na Penitenciária 1, mas sim, em outras Unidades prisionais do Estado.
O Secretário diz que todos os presos são tratados de forma igualitária. Deste modo, venho lembrar o senhor de uma matéria da Revista Veja, há poucos meses, onde mostrava que Marcos Camacho (Marcola) recebeu mais de 600 atendimentos médicos particulares, o que não ocorre com outros presos, ou seja, todos são iguais, porém diferentes.
Quanto ao detento e sua amásia que fez a denúncia, que, infelizmente o senhor coloca como obra de ficção, lamento a dizer que, como jornalista, não tenho o dom da psicografia. Assim, como não existe lista de presos nas cadeias, este que lhe escreve sequer sabia da existência do detento do Ceará em Avaré. Outro ponto, que talvez tenha passado despercebido pelo senhor, é o fato de que não coloquei a data em que a denunciante viu o caso, pois se datasse o fato, com certeza, entregaria a fonte, já que existe uma lista de quem entra durante os dias de visita nas penitenciárias. O senhor, apenas corroborou que o preso existe e estava em Avaré, deste modo, não inventamos a matéria.
Vou fazer uma analogia de uma frase do filosofo Voltaire: “Deus não age porque é omisso ou porque considera a humanidade um projeto falido”. Deste modo, coloco que o sistema prisional (todo) sofre com a omissão dos governantes e, ainda pior, o sistema está falido. O Estado coloca “gatos” no sistema, e eles saem de lá “Leões”, ou seja, o grau de ressocialização que deveria haver nas cadeias, simplesmente não existe. O senhor como Secretário atuante e capacitado, poderia ser um dos primeiros a tentar moldar outro regime carcerário, não misturando os presos que tem condições de ressocialização, com aqueles que sabemos que são incorrigíveis. Seria um grande passo para uma mudança real nas cadeias.
Já os servidores públicos (agentes penitenciários) realmente são pessoas distintas e trabalhadoras, mas que convivem com a insalubridade do sistema, o que os torna também vítimas de um sistema falido.
Lembro-me como se fosse hoje, quando o senhor Secretário era diretor da Penitenciária de Avaré, e teve que ter pulso firme quando surgiu uma facção em 1996 CDL (Comando Democrático pela Liberdade) – liderada por alguns presos que estavam em Avaré.
Enfim, a denúncia foi feita para que as autoridades tomassem ciencia daquilo que poderia estar ocorrendo. O papel do jornalista não é agradar, mas mostrar a paisagem da forma que ela é, e não a enfeitando. O papel do jornal é fazer as pessoas pensarem, pois somente a letra fria não cria cidadãos com critérios e opinião.
Deste modo, acredito eu como jornalista, que o Secretário Lourival Gomes está à frente da SAP há anos porque é um profissional competente. Espero que o senhor Secretário tenha todo os aparatos para impedir que presos mais fortes dominem os mais fracos, podendo tornar o sistema prisional em um aparato de grande valia para o crime.
A sociedade clama que a Justiça seja seguida e que tenha pulso firme contra as facções. Mas também sabe que, onde há uma injustiça, por detrás dela existe um ser-humano sofrendo.
Cordialmente
*André Guazzelli













