Por André Luis – Quando desencarnei, cheguei a um local onde não havia luz, não havia paz, não havia amor, não havia compaixão. Só se ouvia sussurros, sofrimentos e lamentações.
Na verdade, acordei abruptamente, sem entender nada. Sequer sabia quem eu era, ou qual meu nome. Assustado, recolhi-me à um canto e por ali fiquei. Às vezes, era atormentado por espíritos baixos, no mais, meu sofrimento estava dentro de mim mesmo.
Não sei por quanto tempo lá permaneci. Para mim, tamanho sofrimento, era uma eternidade sem fim.
Somente, aos poucos, foi recobrando a consciência, e, deste modo, as lembranças de minha vida na Terra começaram a vir esporadicamente, e, com isso, comecei a entender o porquê estava naquele local que sequer conhecia ou tinha ouvido falar.
O tempo passou, as agonias e sofrimentos eram tantas que muitas vezes me perdia em sonos profundos e avassaladores. Quando voltava a mim, sentia meu espírito pesado como estivesse sangrando por dentro.
Foi uma época dolorosa, quando por fim, as coisas começaram a se encaixar e relembrei minha passagem quando ainda estava encarnado.
Lembrei-me dos desgostos pessoais. Da ingratidão que sofri. Da perseguição a que fui exposto, enfim, sofrimentos de quem está encarnado e tem a dura missão de lutar contra àquilo e enfrentar com “armas” que nada mais são do que o perdão e o amor - o que de fato, não consegui.
Até que num belo dia. Desfigurado e alijado espiritualmente, acabei me suicidando. Achava que o fim de uma vida, poderia me trazer mais conforto espiritual e fugir das intempéries da vida.
Num momento, depois de ter perdido toda a esperança de estar num lugar tão triste e sombrio, uma forte luz se fez diante de mim. Era tão forte, que, não conseguia enxergar quem estava a minha frente. Os demais espíritos se afastaram.
Com muita determinação vi uma mão estendida a mim. Seu olhar era apaixonador, e sua aura, simplesmente, mágica.
Ele continuou com a mão estendida e notou que eu não entendia o que estava ocorrendo, e, só então me disse:
“Sou Francisco de Assis, e vim até ti a pedido de seus familiares, os quais rezam muito por você. Estou aqui para ajudar. ”
Toquei em sua mão e, em questão de segundos, não estava mais no lugar que me torturou por muito tempo.
Fui deixado em um hospital espiritual, e não vi mais àquele espírito magnifico. Somente depois de me recuperar parcialmente, um espírito achegou-se ao meu lado e sorriu. Não conseguia ver quem era. Vendo minha frustração, o espírito disse que era uma enfermeira, e que tudo estava correndo bem para mim. Além do mais não precisaria ter pressa, pois outros espíritos bem feitores e minha própria família oravam por mim.
Ela fez uma forte oração e saiu deixando cair algo em meu colo.
Olhei ... fiquei alegre e chorei copiosamente com o que estava escrito:
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.
Voltei a fitar a enfermeira com um tom de questionamento. Ela apenas assentiu. Francisco de Assis foi o espírito que me tirara do sofrimento.













