Por José Carlos Santos Peres - O jornal (A Voz do vale) reservou espaço ao candidato a prefeito, Jô Silvestre, em sua última edição. Inutilmente, porém. Ele preferiu não responder às perguntas previamente formuladas.
O candidato optou, nesta sua caminhada eleitoral, pela estratégia do distanciamento: não fala, não participa de encontros com os demais candidatos, não dialoga. Um direito que o político em questão tem em permanecer calado. Mas seria essa a estratégia correta? Pode demonstrar que sim, no caso de vencer a eleição.
Quem perde, porém, é o povo, de uma maneira geral. A população precisa de confronto de ideias envolvendo todos os candidatos para fazer uma escolha segura. O mutismo de Silvestre em nada colabora para essa finalidade.
Com o silêncio, Joselyr Filho passa a impressão de que, muito mais que estratégia política, na verdade ele não tem nada de importante para dizer ou escopo para sustentar suas teses num debate. Essa é – para muitos - a leitura possível.
Certo que em determinadas situações o candidato a um cargo eletivo evitar a exposição pública pode ser aceitável. Quantos, estando na liderança de uma corrida eleitoral, deixam de participar de debates na televisão, por exemplo, por saberem que serão bombardeados por uma orquestração envolvendo todos os demais participantes? Situação pontual, porém. E não regra.
No caso da entrevista para este jornal, Jô Silvestre errou na opção pelo simples fato de que as perguntas lhe foram encaminhadas com antecedência. Ele poderia ter se reunido com o seu entorno e elaborar as respostas, com tranquilidade, sem a possibilidade do contraditório, de questionamentos.
Oportunidade de ouro, portanto, para dizer – mesmo que através de algum ghost-writer – o que pensa para o desenvolvimento de Avaré. É natural o uso de um escritor fantasma para elaborar respostas de político. Obama, com toda aquela inteligência, faz isso. O vereador Tucão, faz isso!!!
A estratégia política de Joselyr Filho pode lhe dar o resultado esperado, ao final do processo eleitoral. Seu pai usou do mesmo recurso nas vezes em que foi candidato a prefeito, com algum sucesso. Mas esse fim não valoriza os meios, já que em política debate é questão intrínseca à disputa. O eleitor precisa conhecer o candidato, saber de seu plano de governo, da viabilidade desse plano, e isso só é possível numa discussão, num confronto de ideias.
A campanha de Jô Silvestre até pode ser a vitoriosa entre as demais. Mas é triste saber que dela o povo só conhece mesmo o que um caminhão canta pelas ruas da cidade. Estivéssemos em Macondo, a fictícia cidade do colombiano Gabriel Marquez, o Juiz Eleitoral, em caso semelhante, daria posse ao caminhão, afinal, ele, pelo menos, buzina.
José Carlos Santos Peres é escritor e cronista.













