Um show realizado na última sexta-feira, 24, no recinto Fernando Cruz Pimentel, foi palco de inúmeros furtos de celulares de vítimas que assistiam ao “espetáculo”.
Segundo a PM, houveram diversas denúncias de furto de celular no interior do recinto, sendo que diversas vítimas relataram que após sofrerem um esbarrão de um grupo de meninas notaram a falta de seus celulares.
Ainda segundo a PM, diante da informação, policiais ficaram nas catracas de saída do show e iniciaram busca em todas as mulheres que saiam e que portavam bolsa grande.
A PM informou que uma menor tinha dentro de sua bolsa 18 celulares de marcas diversas. A suspeita foi levada à delegacia, onde 9 vítimas compareceram, e reconheceram seus aparelhos celulares. A menor, A.L.T.X., de 16 anos, entregou os outros aparelhos para os Policiais e relatou que apenas estavam guardando os aparelhos para um tal “Rafael”, o qual ela não sabia dar nenhuma informação. Ela foi ouvida e liberada aos cuidados de uma conselheira tutelar (por ser menor), sendo que os outros aparelhos ficaram no Plantão Policial aguardando as vítimas. Somete 9 vítimas estivaram no local para retirar seus aparelhos.
Reclamações
A organização do evento recebeu centenas de reclamações de pessoas que estiveram no evento. Alguns postaram reclamações ferozes nas redes sociais.
Daniel Simini professor de direito, em sua página, declarou que foi ao show do Wesley Safadão, em Avaré, e classificou o evento como um terror, um show de horrores. Explico, ordenadamente:
1 - desorganização absoluta: passei pela revista 3 vezes. Considerando que o bar possuía acesso próximo do local de entrada, a cada vez que eu voltava dele para a nave do show eu era compelido a passar pela revista;
2 - desorganização absoluta e desrespeito ao CDC (1): comprei camarote (muita gente fez isso, creio que 1.356.987 de "gentes" fizeram isso)! Contudo, só 1.400 pessoas poderiam ascender ao camarote. Assim, quem não subiu permaneceu na geral. Não é contra a geral; é contra pagar camarote e ficar na geral (CDC abstrato e não concreto - peço licença: foda-se o CDC, o bem-estar e o "caraio a quatro", pois o que vale é a arrecadação vultuosa (princípio da "fiscalidade").
3 - desorganização absoluta e desrespeito ao CDC (2): o bar. Ah! O bar:
Eu: " - Quero um combo, por favor."
Atendente: " - Não temos mais baldes. O Sr. Poderá segurar a bebida e o energético."
Eu: " - Mas, e o gelo?"
Atendente: " - Eu coloco na caixa de papelão."
Eu: " - (risos). Você é engraçada. Trabalha com bom humor. Que tal fazermos um combo separado em vários copos?"
Atendente e fiscal do bar: " - Nesse caso cobraremos o preço do copo e do energético individualmente."
Eu verbalizei " - Obrigado, então (pensei: VSF/VTNC)."
4 - desorganização absoluta, jeitinho brasileiro e fragilidade da segurança: os amigos e os amigos dos amigos dos seguranças passavam sem revista (julgo grave);
5 - desrespeito à lei do antitabagismo: "fica proibido fumar em ambientes fechados de uso coletivo como bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos comerciais. Mesmo os fumódromos em ambientes de trabalho e as áreas reservadas para fumantes em restaurantes ficam proibidas. A nova legislação estabelece ambientes 100% livres do tabaco." A organização do evento deve afixar cartazes indicando e deve fiscalizar. Como se diz em Avaré: "Chéééé....Ninguém viu, mas muita gente fumou (eu não gosto de cigarro)."
6 - desrespeito ao direito de ir, vir e permanecer. A constituição "garante essa garantia" em tempos de paz (talvez por isso não se respeitou tal direito. No show não era tempo de paz). Quando eu queria ir eu não conseguia; quando eu queria permanecer, também não (o gato ou o Kiko - quem conhece vai entender)!
7 - O show: Nada contra o ídolo nacional, a explosão do momento, a sensação (Vai Safadão), mas cerrei os olhos por alguns instantes e foi como se ouvisse Safadão na sala de casa ou no rádio do carro. Não achei que foi megashow como publicitou os organizadores.
Minha chatice permitir-me-ia continuar os pontos negativos. Mas vi pontos positivos também, tenho que admitir:
1 - amigos e alguns alunos compeliram-me a abandonar meu protesto "estátua" (não queria, dançar, cantar e sorrir - estava emburrado);
2 - o povo brasileiro é empreendedor e respeita a livre iniciativa e a livre concorrência (direito empresarial e constitucional na veia): a) batedores de celular e carteira agiam dentro e fora do recinto. Até policial foi furtado; e b) pessoas cobravam para olhar seu carro em local público (tem natureza jurídica de taxa?).
3 - tive na prática uma revisão de direito penal: lesão corporal, furto qualificado, porte (ilícito) de arma branca e de fogo, estupro, dentre outros.
4 - o povo brasileiro é alegre, festivo e tem problema de memória (esquece mágoas e problemas). Uma festa acalma os ânimos e ninguém lembra da crise, nem da corrupção (somente uma senhora de aproximadamente 50 anos recolhendo latas na rua as 4:30 da manhã - podia ser sua ou minha mãe). E tem gente que "mamã nas tetas do governo" com orgulho. Deveríamos brigar e fazer escândalo por nossos direitos desrespeitados no show, da mesma forma que rodamos a baiana porque a fila do banco, do INSS ou do SUS está demorada demais: " Quero falar com o gerente, vou chamar a polícia".
5 - o povo evoluiu: antes fumavam cigarro; agora fumam maconha do seu lado. Antes pediam para conhecer; agora transam ao vivo do seu lado.
Assim foi meu show.
Penso que é um local maravilhoso para revisar na prática meus conhecimentos teóricos sobre os mais variados ramos do direito (não citei autoexecutoriedade em direito administrativo).
Aprendi que minha chatice tem superado a vontade de ir para outros shows.
Viva o Brasil, o povo, a constituição, a saúde e a segurança pública (não os policiais guerreiros), o respeito ao próximo, a solidariedade genuína, a organização do evento.
E para ratificar o que penso: Vai Safadão, vai pra longe de mim.
Sei que serei criticado por quem ler até o final. Mas no Brasil o povo tem preguiça de ler, logo terei poucas críticas.
Aos que criticarem: respeito, mas lembre-se que tudo isso é porque eu sou chato, a culpa é minha.













