MANHATTAN– EUA
Nevava quando o jato aterrissou no aeroporto americano. Como sempre o Chefe saiu sem passar por nenhuma revista ou qualquer outra coisa. Um helicóptero da Seita americana já o esperava. Às 11:00hs em ponto ele estava descendo no heliporto na casa do Chefe-Maior da Seita.
O Palácio onde vivia o líder da maior Seita do mundo era fenomenal. Portas de segurança máxima, vidros à prova de bala, seguranças e jardins adornados com peças e relíquias.
No entanto, por dentro, o ambiente era outro. Tudo ali que enobrecia a casa era banhado a ouro, desde as fechaduras, até as torneiras. Olhando acima, os detalhes dos pilares eram assombrosamente parecidos terem sido esculpidos por artistas.
Assim que chegou à porta, o mordomo já a abriu fez um gesto de reverência e disse ao Chefe que lhe acompanhasse, pois o esperavam no escritório. Ao entrar no escritório o Chefe encarou um homem esquálido, que parecia ter envelhecido 30 anos num só dia. Àquele líder nato e vigoroso na saúde, hoje, era um trapo humano.
“Aproxime-se, por favor. ” – Disse tossindo de forma dolorosa.
No local não entrava qualquer tipo de luz natural. Tudo ali era artificial. As paredes eram talhadas em madeira e a mesa parecia-se um ícone de prepotência e arrogância, devido a cada detalhe que o Chefe notara, que fora esculpida também.
Os minutos se passavam, enquanto o Líder máximo se recompunha. Por fim, ele ajeitou a gravata e o que se viu foi um pescoço descascado e um homem senil.
Ele olhou o líder de modo até afetuoso, mas depois mudou só pelo jeito de falar.
“Meu pai fundou esta Seita. Ela deveria ser passada de pai para filho, e isso foi feito durante séculos – de repente seu semblante entristeceu – Mas hoje tudo mudou. Tenho três filhas e um filho. Rebelde e homossexual, que não vejo a mais de três meses. Não posso passar o comando da Seita para ele. Sequer sabe que ela existe. Por isso tomei uma decisão. Antes tenho que lhe mostra um local especial, onde somente o Líder máximo pode adentrar. ”
Após afrouxar a gravata e devido ao cansaço que lhe abatia, o Líder foi rápido nas outras palavras e, ambos saíram dali para o Heliporto.
O Chefe sorria por dentro e pensava que seu futuro seria muito mais promissor. Tudo dera certo como ele planejara. Naquela reunião em Kiev na Ucrânia ele conseguiu fazer o Líder fumar um charuto contaminado com polônio. (Uma das principais fontes de contaminação humana por polônio é o tabaco (é misturado com arsênico, naftalina e iodo no tabaco, é um dos principais fatores que causa câncer no tabaco). Depois seria só esperar os efeitos.
O helicóptero sai rumo a Washington e, em pouco tempo, estavam aterrissando num local próximo a Casa Branca. Era um edifício pequeno e escuro. Todo em preto. Eles desembarcaram e logo tomaram o elevador. O Líder mostrava-se a cada passo mais cansado.
Eles desceram sós apenas um andar. O Líder, então tirou uma chave trabalhado em ouro puro. Mas antes de entrar, virou-se para o Chefe e disse:
“Vou ser claro. Ninguém. Nunca, repito, jamais entra nesta sala. Somente o Líder máximo. ”
O Chefe cadeirante assentiu. Estava exaltado e as palavras quase não saíam de sua boca.
A porta à frente era totalmente talhada em madeira nobre. O verniz puro vindo da Alemanha dava-lhe o aspecto brilhante fora do comum. O Chefe calculou que ela deveria medir mais de dois metros de altura por três de largura. Sua espessura era notória. Nela estavam talhadas faces de demônios, esfinges e outros símbolos que ele nunca vira.
Quando o Líder máximo colocou a chave na fechadura, também feita em ouro puro, o estômago do Chefe sofreu um choque.
Dali de dentro jamais na história entravam duas pessoas. Quando entravam duas pessoas, apenas uma só sairia. Em toda a história da Seita fora deste modo.
Suas mãos formigavam.
Finalmente a chave foi girada e a porta escancarada.













