Por Assis Châteaubriant – Destarte estar velho e não mais com tanto “pique” para festas, quando chega o Natal me lembro dos meus antepassados, da vida diferente do que é agora, de como vivíamos com menos e, talvez ainda mais felizes, pois não tínhamos as ilusões que, hoje, permeiam a juventude atual. Eram outros tempos, outra vida, outros pensamentos, amores que foram e se foram, pessoas que entraram e saíram de minha vida, como um trem, que para em estações, onde sobem novas pessoas e descem outras ali, naquele ponto, deixando-nos com seu legado, aprendizado e amor.
O tempo e a vida andam entrepostos e paralelos. Correm juntos e ao mesmo tempo um contra o outro. A vida é um carrilhão de surpresas, onde nelas estão embutidas a felicidades e as infelicidades. Vivemos, muitas vezes, sendo egoístas de nosso próprio eu. Somente o tempo nos traz a visão e o aprendizado. A Universidade da Vida é a maior escola que o ser-humano pode aprender. Deixa cicatrizes, lágrimas, sorrisos e paixões. Viver é um dom - algo inefável e absoluto.
Viver é conviver com o Tempo!
E o Tempo, ora, ah, o Tempo. Quem pode explicar o Tempo?
Deste modo, o Natal é mais uma marca que o Tempo deixa em nossa alma, ou como dizia Mário Quintana:
O Tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Chatô é escritor.













