A Vigilância Sanitária em Avaré (SP) interditou a Casa de Repouso ‘Mãe Pedrina’ por falta de higiene e má alimentação de idosos, segundo a prefeitura. O fechamento ocorreu depois de uma fiscalização feita a pedido do Ministério Público (MP), que havia recebido denúncias de maus-tratos. Os últimos idosos deixaram o local nesta sexta-feira (13). A administração da Casa de Repouso negou as acusações e informou que deverá recorrer.
Parentes dos internos estão preocupados, já que dizem não ter condições de pagar outros serviços que seriam mais caros. Uma mulher morreu no local, segundo um documento do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).
De acordo com a Delegacia de Defesa da Mulher, responsável pela invetigação, foi instaurado inquérito para apurar as causas da morte da idosa. Os depoimentos já foram marcados e devem ser colhidos nos próximos dias. A casa funcionava há 13 anos no Bairro Brabância e atendia 30 idosos. A instituição era particular e o custo da internação ficava entre R$ 780 a R$ 1.500.
A investigação no local começou depois que uma denúncia anônima foi feita por telefone à Secretaria Nacional de Diretos Humanos. O Ministério Público de Avaré foi acionado e pediu para que as irregularidades fossem apuradas pela Vigilância Sanitária e pelo CREAS da prefeitura.
O relatório feito pelo CREAS foi anexado à ação civil pública movida pela promotoria contra o asilo. De acordo com o documento, não eram fornecidas as seis refeições diárias exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O documento aponta para quantidade insuficiente de funcionários para atender os idosos. Também consta que duas idosas estavam muito magras, o que caracterizaria suposto estado de desnutrição. No processo, também foi anexado um boletim de ocorrência feito por funcionárias do CREAS, sobre uma idosa da casa de repouso, que morreu depois de ter dado entrada no pronto-socorro da cidade com sintomas de desnutrição e desidratação. No boletim não há informações sobre a causa da morte e a administração do asilo afirmou que há falhas no relatório feito pela vigilância e pelo Centro de Referência.
Sobre as informações contidas no relatório, a representante da administração da Casa de Repouso Mãe Pedrina, Letícia Paulino Teruel, afirma que eles deverão recorrer: “Quando a vigilância veio, os funcionários chegaram pela manhã, que é um horário onde há o café da manhã, troca e higiene dos idosos. Então, entraram na cozinha, onde estava acontecendo uma limpeza e disseram que havia alimentos irregulares e desordem no local. Também questionaram o mau cheiro. Respondi que aqui existem idosos que usam fralda e seriam encaminhados ao banho.”
Um homem que mantinha a mãe na casa e não quis se identificar, disse que agora não sabe para onde vai levá-la. “Minha mãe tem a saúde debilitada. 84 anos, sofre de Alzheimer e não tenho condições de mantê-la em casa”, explica.
Já Maria Helena Cuartucci, diz que havia poucos funcionários no local, mas com o fechamento não sabe como vai fazer para cuidar da irmã de 74 anos que trouxe de volta para casa. “Tenho 80 anos, problemas de saúde e não tenho condições de cuidar dela. Por isso, preciso de alguém para me ajudar”, conta.(DO G-1)













