"Tarcísio adia visita a Bolsonaro e evita ser enquadrado"
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou a visita que faria a Jair Bolsonaro (PL) após avaliar que a conversa serviria para pressioná-lo a apoiar de forma mais explícita a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo aliados do governador ouvidos pelo Estadão.
Pessoas próximas a Tarcísio dizem que a visita teria inicialmente outro propósito: prestar solidariedade a Bolsonaro e discutir os próximos passos para viabilizar sua transferência para a prisão domiciliar.
A ideia do governador era relatar ao ex-presidente o andamento de suas articulações junto a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que culminaram na transferência de Bolsonaro para a Papudinha.
O cancelamento ocorreu após declarações de Flávio indicarem que a pauta real da conversa seria enquadrar Tarcísio. Embora se coloque como candidato à reeleição ao governo de São Paulo, ele é visto como um possível nome da direita para a disputa ao Planalto.
Em entrevista à CNN Brasil na terça-feira, 20, o senador afirmou que Tarcísio ouviria de Bolsonaro que sua reeleição ao governo de São Paulo é fundamental para a estratégia nacional da direita — uma forma de endossar o projeto presidencial do senador.
A aliados, Tarcísio vem manifestando incômodo com as cobranças recorrentes de setores do bolsonarismo para que adotasse um apoio mais enfático a Flávio. Em tom de desabafo, o governador confidenciou a algumas pessoas que nada do que faz parece suficiente ao grupo.
O governador declarou ao ex-secretário de Desenvolvimento Social de São Paulo Filipe Sabará, durante um jantar no Palácio dos Bandeirantes no começo do mês, que “daria total suporte e palanque necessários a Flávio na hora certa” — sugerindo não ser o momento para o apoio público.
Correligionários no Palácio dos Bandeirantes avaliam que, ao cancelar o encontro sob a justificativa de ter compromisso em São Paulo, o governador buscou impor limites e enviar um recado de que não vai se submeter a esse tipo de cobrança. Um integrante da gestão disse que a realção tem sido “um estica e puxa”.
Outro aliado diz que Tarcísio agiu corretamente, pois “não pode se diminuir” e passar a imagem de “pau mandado” de Bolsonaro, o que prejudicaria a sua própria reeleição em São Paulo. Na sua avaliação, “os pesos estão invertidos”: Tarcísio governa o Estado de São Paulo, enquanto Flávio é “apenas um senador”. Por isso, caberia à família Bolsonaro “pedir, e não exigir”, o apoio de Tarcísio.
Lideranças do bolsonarismo leram o recuo de Tarcísio como falta de comprometimento com a candidatura de Flávio. A crítica surge até em aliados de São Paulo, próximos ao governador.
Um deles diz que adiar o encontro por receio de ser pressionado a apoiar Flávio passa a impressão de que não há compromisso com a candidatura do senador.
Uma pessoa com trânsito entre os dois presidenciáveis defendeu que o governador deveria ter relevado a insinuação do senador e valorizado a amizade que tem com o ex-presidente.
Uma pessoa próxima a Eduardo, envolvida nas articulações da campanha do senador, diz esperar que Tarcísio “se una ao nosso propósito de forma mais entusiasmada”.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também é citada nas conversas do círculo próximo a Flávio como alguém envolvida na visita de Tarcísio ao ex-presidente.
A ideia de que exista uma “frente anti-Flávio” sendo articulada pelas costas do senador está por trás da pressa desses aliados em fazer Tarcísio entregar logo seu apoio explícito à candidatura do filho do ex-presidente.(Do Estado)













