A definição de ansiedade associa-se à projeção para um futuro, na maioria das vezes, com o errôneo como resultado imediato. Não existindo um perigo real, o cérebro ansioso cria cenários de medo, causando seres assustados e em estado de vida em alerta contínuo. Sendo assim, a ansiedade natural atua como forma de proteção e orientação. A problemática surge quando esta torna-se dominante, a ameaça é permanente na mentalidade do ansioso.
O questionamento essencial, o ser humano ansioso reage a vida de fato, ao agora, ou vive a partir de uma antecipação que a própria mente cria e que se transforma no real do ser. Ansiedade é vista como desordem: o futuro imaginado passa a ser imperioso frente ao presente vivenciado, o pensado ou o imaginado adquire o caráter de real e factual. A premissa básica, pensar é um processo mental, não é um fato concreto. O homem deve distanciar-se e agir pelas reais condições.
O filósofo Byung-Chul Han aponta que a ansiedade no século XXI é causada pelos excessos. O capitalismo exige desempenho positivo de forma permanente e somos estimulados a todo tempo, a mente humana não descansa, não repousa.
A redução da ansiedade perpassa pelo menor número de informações introduzidas no cérebro, bem como pela menor comparação de si com o outro; o tédio é bem visto, o silêncio e a pausa geram o desacelerar mental, possibilitando a reorganização de si. Quando tudo é urgente, nada é aprofundado. Por fim, é necessário interromper a noção do ser como um projeto a ser aperfeiçoado eternamente, gerando exaustão, o limite é ponto chave neste aspecto, bem como o fazer com calma, a premissa do fazer uma coisa de cada vez, um clichê para a improdutividade, deve ser desconstruído, a atenção dividida não gera boa produção, o enfoque único por vez deve retomar o fazer cotidiano.
Em síntese, deve-se atribuir critérios para selecionar o que deve realmente ser feito, o excesso de possibilidades alimenta a ansiedade. Concluindo, lucidez na atualidade é soltar o cenários criados mentalmente e agir pelo incerto, visto que o futuro é pautado pela incerteza.
Sobre Guilherme de Andrades:
Professor/Historiador, com 5 especializações, abarcando História e Geografia do Brasil, bem como Metodologias do Ensino e Docência do Ensino Superior. Possui inúmeras certificações USP sobre Ciências Humanas.













