As palavras têm poder. Elas podem acolher, apoiar e encorajar, mas também podem ferir, mesmo quando não há intenção de machucar. Quando falamos sobre autismo, é importante lembrar que por trás de cada diagnóstico existe uma pessoa com sentimentos, sonhos, desafios e potencialidades. Da mesma forma, existem famílias que enfrentam diariamente situações que muitas vezes não são visíveis para quem está de fora.
Algumas frases são tão comuns que acabam sendo repetidas sem reflexão. No entanto, para pessoas autistas e seus familiares, elas podem causar sofrimento, culpa ou sensação de incompreensão. Por isso, é fundamental pensar antes de falar.
Evite dizer:
"Mas ele nem parece autista."
O autismo não possui uma aparência específica. Cada pessoa autista apresenta características únicas e diferentes necessidades de apoio.
"Na minha época isso não existia."
O autismo sempre existiu. O que mudou foi o avanço da ciência, do conhecimento e dos métodos de diagnóstico.
"É só falta de limites."
O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento e não resultado da forma como os pais educam seus filhos.
"Ele vai ficar normal quando crescer."
Pessoas autistas não precisam se tornar "normais". Elas merecem ser respeitadas e apoiadas para desenvolver todo o seu potencial.
"Todo mundo é um pouco autista."
Embora algumas pessoas possam apresentar características semelhantes, o autismo é uma condição clínica que exige critérios diagnósticos específicos.
"Você tem certeza que ele é autista?"
Questionar o diagnóstico pode invalidar a experiência da família e desconsiderar a avaliação realizada por profissionais qualificados.
"A culpa é dos pais."
Décadas de pesquisas científicas demonstram que o autismo não é causado pela educação recebida em casa.
“Ele só precisa socializar mais”
As dificuldades de interação social fazem parte das características do TEA e não desaparecem apenas pela exposição a situações sociais.
"Coitada dessa mãe."
Famílias de pessoas autistas não precisam de pena. Precisam de acolhimento, respeito, oportunidades e inclusão.
"Ele é muito inteligente para ser autista."
O autismo não pode ser definido pelo nível de inteligência. Existem pessoas autistas com diferentes perfis, habilidades e necessidades de apoio.
Mais importante do que saber exatamente o que dizer é estar disposto a ouvir. A empatia começa quando substituímos julgamentos por compreensão e opiniões por informação.
O preconceito muitas vezes não nasce da maldade, mas da falta de conhecimento. Por isso, antes de comentar sobre o autismo, procure informar-se. Uma palavra inadequada pode ferir profundamente, enquanto uma atitude de respeito pode transformar a vida de uma pessoa e de toda a sua família.
A inclusão começa quando aprendemos que respeito não é apenas aceitar as diferenças, mas compreender que cada pessoa merece ser vista além de qualquer diagnóstico.
Sobre a colunista:
Marcela Fernanda de Andrade é pós-graduada em Neurociência, TEA, Educação Especial e Inclusiva, com capacitações em AUTISMO pela Universidade de Harvard, The American Academy of Pediatrics (AAP) e PANAACEA Argentina. É Autista, mãe atípica, estudante de Fonoaudiologia e mestranda em Distúrbios da Fala, Linguagem e Comunicação Humana.
Instagram: @neurofono_marcelaandrade
Atenção: Esta é uma coluna informativa. Em caso de dúvidas específicas, procure sempre um profissional qualificado.













