É comum os discentes solicitarem ao Chat GPT resumos de nossas aulas, sejam por alunos excelentes ou os com mais dificuldades de aprendizagem, sobretudo de conceitos que foram amplamente expostos e exemplificados durante o bimestre, em qualquer momento ou num ato de revisão para avaliação, apesar da figura do professor estar ali, o que gera um temor na carreira docente pela substituição do elemento humano pela Inteligência Artificial. Ocorre nas escolas atuais uma terceirização do pensamento, que extrapola a figura do estudante e professorado.
Não se trata da contrariedade ao uso, as ferramentas tecnológicas são essenciais no processo de ensino no século 21, a problemática surge a partir do uso correto ou incorreto de tais recursos. O Chat GPT torna-se uma muleta, tudo é procurado naquele local do digital: trabalhos, avaliações, resumos, respostas para questionamentos simples que bastariam um raciocínio rápido, o que demonstra e aponta-se, os alunos jogam fora a oportunidade de aprendizagem, o tempo em sala de aula com o professor.
Simultaneamente, é comum encontrar frases como “monte sua aula 5 minutos” ou ainda, “corrija provas de forma automática”, promessas que mexem com a comunidade de docentes, visto a intensa burocracia e o elevado número de alunos e turmas, em detrimento do pouco tempo disponível. No caso da disciplina de História, a IA não oferece aprofundamento necessário, apresenta-se apenas a informação pronta e acabada: Hitler promoveu o genocídio de judeus, 6 milhões deles foram mortos, mas o que a informação acrescenta se não houver a investigação de como isso foi possibilitado, quais as ideologias, como ocorreu a ascensão nazista, como agiram as nações europeias, o que fez o povo alemão a aceitar, se houve aceitação ou não, se era uma prática aberta ou implícita.
As tecnologias são essenciais e contribuem muito para o trabalho docente fora e dentro de sala de aula, a IA deve ser um assistente, mas nunca substituir a ação do professor. Na aula de História, o enfoque deve ser os fatos, a articulação de fontes, as interpretações dos historiadores cânones, envolve comparações, em oposição ao Chat GPT, que “joga” o fato e a informação por si só.
Sobre Guilherme de Andrades:
Professor/Historiador, especialista em História e Geografia do Brasil, bem como em Metodologias do Ensino. Possui certificação USP sobre Geopolítica Contemporânea.













