A ansiedade é uma condição que pode afetar qualquer pessoa, mas, entre indivíduos autistas, ela é bastante frequente. Isso não significa que toda pessoa autista tenha um transtorno de ansiedade, mas muitas vivenciam níveis elevados de preocupação, tensão e estresse ao longo da vida.
Diversos fatores contribuem para isso. Mudanças inesperadas na rotina, ambientes muito barulhentos, excesso de estímulos sensoriais, dificuldades na comunicação e situações sociais podem gerar um desgaste intenso. O cérebro autista costuma processar muitas dessas experiências de forma diferente, tornando o dia a dia mais desafiador.
Imagine precisar lidar constantemente com luzes fortes, sons intensos, cheiros marcantes e interações sociais complexas. Para muitas pessoas autistas, esses estímulos podem provocar um estado contínuo de alerta, favorecendo o surgimento da ansiedade.
Os sinais podem variar bastante. Algumas pessoas demonstram inquietação, evitam determinados lugares, apresentam dificuldade para dormir, irritabilidade, preocupação excessiva ou até crises de ansiedade. Em crianças, esses sinais podem aparecer por meio de mudanças de comportamento, aumento das estereotipias ou maior necessidade de previsibilidade.
É importante lembrar que ansiedade não é falta de força de vontade nem exagero. Trata-se de uma condição que merece acolhimento, compreensão e, quando necessário, acompanhamento profissional.
Algumas estratégias podem ajudar, como manter uma rotina previsível, preparar a pessoa para mudanças com antecedência, respeitar suas necessidades sensoriais, utilizar recursos visuais quando apropriado e oferecer um ambiente seguro para que ela possa se comunicar e se regular emocionalmente.
Quanto mais conhecemos o autismo, mais compreendemos que muitos comportamentos são formas de enfrentar desafios que nem sempre são visíveis. A informação reduz preconceitos e fortalece a inclusão.
Informação gera compreensão. Compreensão gera respeito. E respeito transforma vidas.
Sobre a colunista:
Marcela Fernanda de Andrade é pós-graduada em Neurociência, TEA, Educação Especial e Inclusiva, com capacitações em AUTISMO pela Universidade de Harvard, The American Academy of Pediatrics (AAP) e PANAACEA Argentina. É Autista, mãe atípica, estudante de Fonoaudiologia e mestranda em Distúrbios da Fala, Linguagem e Comunicação Humana.
Instagram: @neurofono_marcelaandrade
Atenção: Esta é uma coluna informativa. Em caso de dúvidas específicas, procure sempre um profissional qualificado.













