Ser atendente de telemarketing não deve ser fácil. A maioria das pessoas são grossas ou secas com esses profissionais, não por causa deles em si, mas sim devido à insistência com que as empresas se valem desse meio de comunicação, para vender ou cobrar.
Pessoalmente, adoto uma estratégia clara ao dizer: “Moça(o), visando economizar o seu e o meu tempo, não tenho interesse em ouvir a proposta. Tenha um bom dia e fique com Deus.” Funciona 90% das vezes, sem retruque.
Certa feita, um atendente da Folha de São Paulo disse: “Como o senhor sabe que não se interessa pela proposta, se ainda não a fiz?”
Ao passo que respondi: “Se a proposta não for para vocês me pagarem R$ 1.000,00 para ler um jornal desarmamentista e de esquerda, então não me interessa”.
O silêncio no outro lado da linha foi sepulcral.
No meu caso, além de sofrer assédio via telefone em razão da minha pessoa física, ainda tenho que aguentar as ligações direcionadas a mim, em razão das pessoas jurídicas pelas quais sou responsável.
A coisa piorou tanto que precisei tomar providências e baixei o aplicativo True Caller, que funciona razoavelmente bem, mesmo na versão gratuita.
Por “razoavelmente bem”, entenda que ele bloqueia ligações de números começados por 0303 ou 0304, números com código de outros países e afins.
Mas o inimigo é ardiloso, e agora está se valendo de números de telefone cujo código de área é o nosso querido 14. E aí não tem jeito, tenho que atender, devido ao meu trabalho.
Foi nesse contexto que a atendente da Vivo me ligou semana passada.
Acontece que eu estava no estande de tiro fazendo as malditas habitualidades do Lula.
E, foi então que o meu lado quinta série falou mais alto e pensei: Estamos somente meu pai e eu. Porque não?
Atendi pelo smartwatch, já mirando o alvo:
- Alô?
- Aqui é a Fulana, da Vivo! Eu falo com o senhor José?
Pow.
- Sim, pois não?
- Esse é um bom momento para falar com o senhor?
Ratatatá
- Pode falar!
Pow, pow.
- Tem certeza?
Pow... Ratatá
- Sim!
- Que bom, senhor! - Pow, pow, pow – o motivo do meu contato é para falar sobre – ratatatá – por apenas – pow, pow, pow – o senhor teria interesse?
- Não, obrigado!
- Ok, então – ratatatatatatá – muito obrigada!
- Disponha! Tenha um bom dia!
E eu, inocente, achando que o meu relógio inteligente só serviria para ligar para a emergência em caso de acidente!
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