Os preços de smartphones e PCs devem aumentar este ano, com produtos de consumo afetados por uma escassez de chips de memória causada pela rápida construção de datacenters para inteligência artificial..
Arm, Qualcomm e Samsung alertaram nesta semana que a corrida global para construir infraestrutura massiva de IA está pressionando o fornecimento de componentes necessários para dispositivos móveis e outros eletrônicos domésticos.
Falando na CES (Consumer Electronics Show) em Las Vegas, evento anual onde fabricantes apresentam lançamentos eletrônicos, o CEO da Arm, Rene Haas, disse que as restrições nos chips de memória são "as mais severas em pelo menos duas décadas".
O co-CEO da Samsung, TM Roh, também afirmou que a escassez é "sem precedentes" e terá um impacto "inevitável" nos consumidores.
No último ano, grupos como Google, Amazon, Meta e OpenAI prometeram gastar bilhões de dólares na construção de datacenters capazes de alimentar modelos e produtos avançados de IA, acreditando que a tecnologia transformará indústrias.
Essas enormes instalações de computação também precisam de grandes quantidades da mais recente tecnologia de memória de banda larga, ou HBM.
Isso levou fornecedores —um mercado dominado pela sul-coreana Samsung e SK Hynix, junto com o grupo americano Micron— a alocar mais recursos de fabricação para HBM avançada e menos para a que é orientada ao consumidor, necessária em smartphones e laptops.
Na quinta-feira (8), a Samsung disse que seu lucro operacional do quarto trimestre triplicou devido principalmente às vendas de HBM. A Micron anunciou em dezembro que estava encerrando sua marca de consumo "Crucial", citando o aumento da demanda de datacenters de IA.
O diretor financeiro da Qualcomm, Akash Palkhiwala, disse que a crise dos chips de memória é "bastante dramática, e o que está impulsionando a escassez são as implantações de centros de dados por cinco ou seis empresas no mundo com uma quantidade incrível de despesas de capital".
O aumento acentuado nos custos de chips de memória a partir do último trimestre do ano passado vai fazer com que a maioria das empresas de hardware tecnológico elevem "significativamente" os preços dos produtos no primeiro semestre deste ano, segundo analistas do Morgan Stanley. Isso provavelmente vai reduzir as vendas de smartphones Android e PCs Windows.
A exceção é a Apple, que não aumentou os preços do iPhone 17 apesar do efeito das tarifas e das interrupções na cadeia de suprimentos.
A empresa de inteligência de mercado IDC (International Data Corporation) disse em dezembro que, no mercado de smartphones, Apple e Samsung estavam melhor posicionadas para manter os preços de seus produtos móveis baixos. Ambas as empresas têm acordos de longo prazo para garantir o fornecimento de componentes com até dois anos de antecedência.
Dependendo de quanto tempo durar a escassez de memória, o mercado de smartphones poderá contrair até 5,2% em 2026, estimou a IDC. Também afirmou que os fabricantes chineses de smartphones de entrada provavelmente serão os mais afetados.
Os consumidores americanos já estão saindo de um ano difícil marcado pelo impacto de tarifas, inflação e desemprego. A Consumer Technology Association, que organiza a conferência CES, disse em um relatório nesta semana que a confiança do consumidor no final de 2025 atingiu seu nível mais baixo desde julho de 2022.(Da Folha de SP)
Michael Acton
Las Vegas | Financial Times













