A Câmara Municipal de Avaré iniciou os trabalhos legislativos de 2026 sob forte tensão. Na primeira sessão ordinária do ano, realizada nesta segunda-feira (2), o plenário aprovou, por unanimidade, a abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o atual presidente da Casa, Samuel Paes. O parlamentar é alvo de um pedido de cassação de mandato por quebra de decoro parlamentar.
O Clima no Plenário
A sessão foi acompanhada por um público numeroso que, com manifestações de apoio à investigação, pressionou os parlamentares. Para garantir a legalidade do rito, o suplente Benedito Soares da Cruz Júnior, o "Tú Véio", foi convocado para votar no lugar de Samuel Paes, que estava impedido de participar da própria votação.
Sob a presidência temporária de Jairinho do Paineiras, 12 vereadores votaram a favor da denúncia protocolada pela munícipe Juliane Cristina de Oliveira. Logo após a aprovação, um sorteio definiu a composição do grupo que decidirá o destino político de Paes:
Presidente: Hidalgo de Freitas
Relator: Magno Greguer
Membro: Moacir Lima
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A comissão tem agora um prazo de 90 dias para coletar depoimentos, analisar provas e apresentar o relatório final que poderá culminar na perda do mandato do presidente.
O Estopim: Conflito e agressão em plenário
A denúncia de quebra de decoro tem origem em um episódio violento ocorrido em 1º de dezembro de 2025. Na ocasião, durante a votação de um polêmico projeto de reajuste salarial para os próprios vereadores, o cidadão Vinicius Berna protestou das galerias.
O protesto terminou em confusão física. O presidente Samuel Paes, alegando agir em exercício de sua função policial para "preservar a segurança", desceu da presidência e ajudou outras três pessoas a imobilizarem e retirarem Berna à força do recinto. O munícipe registrou um Boletim de Ocorrência alegando ter sido agredido e apresentando escoriações no rosto e nos braços.
Versões Conflitantes
Em sua defesa, a Câmara Municipal nega qualquer irregularidade, afirmando que as câmeras de segurança comprovam que houve apenas uma "imobilização legítima" diante da agressividade do manifestante. Samuel Paes classificou o ocorrido como "triste", mas defendeu sua postura como necessária para manter a ordem.
Por outro lado, o avanço da Comissão Processante indica que o Legislativo avareense, sob pressão popular, decidiu passar a limpo a conduta de seu presidente, avaliando se o uso da força física contra um cidadão em pleno exercício de protesto é compatível com o cargo de representante do povo.













