CRÔNICA
CURIOSIDADE MATA
José Carlos Santos Peres
- Alguém poderia me dizer se o Quinzão pescou alguma coisa ontem, lá no lago do Joselyr?
- Acho que não pescou nada, não. Vi a hora que ele chegou – eu tava colocando o lixo na rua, que o gari Anselmo tá passando bem cedinho aqui na minha rua - e o samburá me parecia vazio. Passava das onze a hora que ele chegou.
- Ah, eu fiquei sabendo pelo meu primo Nelsinho, que estava passando bronzeador na Das Dores, que o Quinzão pescou um cascudo e a botina do Zé Virso.
- Coitado do Zé Virso... Ele carpia o quintal aqui de casa. Saudades!
- O Zé Virso não morreu. Ele só perdeu a botina.
- Alguém poderia me dizer o que o primo da Fátima fazia na casa do Quinzão enquanto ele estava na pescaria?
- Já falei! Não sabe lê, não? Estava passando bronzeador na Das Dores.
- De madrugada?
- Pobrema deles... Mania de se metê na vida dosotros. Credo!
- E por que ela mesma na passa?
- Está com brusite... Não sei se vocês sabem, mas o braço não dobra.
- Gente, há uma viatura parada aqui em frente de casa. Alguém está sabendo de alguma coisa?
- Vi uma movimentação estranha atrás de uma moita no terreno ao lado da casa da Creuza. Cuidado, amiga.
- Misericórdia... Avaré tá perdida.
- Pode ser a onça do horto...
- Ô cambada de curiosos, eu sou o cara da viatura... Parei dois minutinhos para tirar água do joelho.
- Seringa? Tá em falta no postão da Acre.
- putaquepariu! Seringa? Cada uma que me aparece.
- O cara da viatura poderia nos dizer por que deixou o veículo estacionado na rua?
- Não havia espaço na sua garagem.
- Seu malcriado! Só perguntei o que você foi fazer atrás da moita.
- Catar gabiroba que não foi...
- A gente não é obrigada sabermos... Sabia? Por isso que perguntei. Idiota!
- Da próxima vez eu te levo para me ajudar.
- Segurar a seringa?
- Não! Para saquaiá e guardá.
- Ah...Entendi. Me chame no Messenger.













