Filosofia para a vida contemporânea
Por Guilherme de Andrades
Foi vivenciado o Domingo de Páscoa, o renascer de Jesus Cristo, na visão da Igreja Católica. É possível o renascer humano ainda nesta vida, pode-se afirmar que sim, a partir de uma mudança de atitude com o saber. A Filosofia pode ser entendida como um arcabouço que contém respostas para uma existência plena do ser humano do século XXI. A reflexão crítica pode gerar novas formas de ser e estar no mundo.
O sentir-se ansioso, sensação experimentada por muitos, por variáveis causas e graus diversos, buscando respostas nos estudos filosóficos, Epicteto, que foi escravizado em Roma, alinhado a corrente do Estoicismo, aborda a tese que a ansiedade ocupa o espaço entre o que cada indivíduo espera que aconteça e o temível, que poderia vir a ocorrer. Uma alternativa seria o pessimismo, se o pior houver, haverá a sobrevivência. Defende-se os atos de coragem.
Outro elemento existente na sociedade fluída do século XXI é o sentir-se incapaz. A partir de Michel de Montaigne, filósofo francês que nasceu em 1533, no apogeu do Renascimento Cultural, defende que a ignorância, fruto do não saber, não é restrita como antídoto ao estudo nas instituições de ensino e nos livros clássicos, a partir disto, o adquirir conhecimento está possibilitado a uma gama diversa de possibilidades, e é aberto a todos, não sendo exclusividade de uma classe social.
Lidar com sofrimentos é uma temática essencial, o alemão Arthur Schopenhauer apontou que viver é um sofrer constante. Já na visão de Nietzsche, destacado por sua filosofia questionadora dos tradicionalismos, o sofrer é a base do crescimento humano com vistas a superação de si.
A extrema cobrança vivenciada, sobretudo pelo alcance de metas no mundo do trabalho, é impossível não ocorrer a comparação de si com o outro, seja pelos resultados do semelhante ou aspectos diversos. Martin Heidegger, entende que o homem, que em seus escritos é denominado de “Dasein” é um ser para a morte, a única certeza. O ato consciente da finitude de si apresenta-se como um chamado a uma vida autêntica, aqui e agora, no mundo atual e nas condições disponíveis. Torna-se assim improdutivo o tentar adequar-se.
E por fim, a liberdade, fruto de análises enviesadas, em Jean-paul Sartre, a ideia teórica é que o ser humano é mais livre do que pensar ser. Não significa o fazer absoluto do que quiser, mas é disponibilizado ao homem a chance de fugir das ideias pré-existentes, em outros termos, pode-se traçar novos caminhos.
Sobre Guilherme de Andrades:
Professor/Historiador, especialista em História e Geografia do Brasil, bem como em Metodologias do Ensino. Possui certificação USP sobre Geopolítica Contemporânea.













