O IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) é um tributo estadual anual cobrado dos proprietários de veículos no Brasil. Criado em 1985 para substituir a antiga Taxa Rodoviária Única (TRU), ele incide sobre a propriedade do bem — carro, moto, caminhão ou outro automotor — e não sobre o uso ou consumo.
O valor é calculado multiplicando o preço médio do veículo (baseado na Tabela Fipe ou valor venal definido pelo estado) pela alíquota definida por cada unidade da federação, que varia geralmente entre 1% e 4% (em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, chega a 4% para carros de passeio; em outros, como Paraná, caiu para 1,9% em 2026).
Para onde vai o dinheiro?
A arrecadação não tem destinação vinculada obrigatória (diferente de taxas como o DPVAT). Pela Constituição Federal, a divisão é a seguinte:
50% ficam com o estado onde o veículo está registrado;
50% são repassados ao município de emplacamento;
Dos 100% totais, 20% vão automaticamente para o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), conforme determinação constitucional.
O restante (80%) integra o orçamento geral do estado e dos municípios, podendo ser usado em áreas como saúde, educação, segurança pública, folha de pagamento de servidores e, sim, infraestrutura viária — mas sem obrigatoriedade exclusiva para manutenção de ruas, avenidas ou rodovias. Em 2025/2026, estados como São Paulo preveem arrecadar bilhões (mais de R$ 30 bilhões em SP), com valores crescentes apesar de frotas tributáveis menores em algumas regiões.
Por que causa tanta revolta?
O IPVA é um dos impostos mais visíveis e recorrentes do ano, incidindo anualmente sobre um bem que já foi tributado pesadamente na compra (ICMS, IPI, PIS/Cofins etc.). Muitos motoristas sentem que pagam duas vezes: pelo veículo caro e por um serviço público precário.
As principais reclamações incluem:
Falta de retorno perceptível (muitos veem o dinheiro indo para outras áreas, sem melhoria visível no trânsito);
Alíquotas altas em estados endividados, com valores que podem dobrar ou triplicar dependendo da UF;
Sensação de “financiamento eterno” do governo sobre o patrimônio, mesmo em carros antigos ou desvalorizados;
Desproporcionalidade: veículos pesados (SUVs, picapes) causam muito mais desgaste viário (pela “lei da quarta potência”), mas pagam proporcionalmente ao valor, não ao impacto real.
Em 2026, com reajustes médios de 1-2% (e picos maiores em alguns modelos), a insatisfação persiste: o imposto escancara a carga tributária alta sobre o cidadão comum, sem contrapartida clara em qualidade de vida no trânsito.
Apesar das críticas, o IPVA segue essencial para os cofres públicos. A discussão sobre reformá-lo — vinculando mais à infraestrutura ou ajustando alíquotas por peso/impacto — ganha força, mas mudanças dependem de leis estaduais e federais. Enquanto isso, o boleto chega todo janeiro, reforçando o debate: imposto justo ou peso excessivo no bolso do brasileiro?













