Irã: Desmistificação necessária
Por Guilherme de Andrades
No dia 28 de fevereiro de 2026, EUA e Israel surpreenderam o mundo com um ataque ao Irã, após semanas de negociação, o ato foi impactante e abalou o mundo, ignorou-se a diplomacia. O ataque inicial ocorreu numa escola infantil de meninas, o saldo de mortes foi maior de 100, algo irônico ao considerar que os EUA “defendem” amplamente os direitos femininos das mulheres iranianas, todavia, elas acabaram sendo o alvo inicial.
De acordo com o presidente Donald Trump, o conflito seguirá pelas próximas 4 ou 5 semanas, para “destruir o programa nuclear”. Utilizando a narrativa que a nação iraniana é uma ameaça existencial aos estadunidenses, a ação foi justificada para proteção dos EUA: o líder supremo Ali Khamenei foi brutalmente assassinado, bem como alguns de seus familiares. Trump e Netanyahu fomentam o povo pela revolta com a intenção de queda do regime dos aiatolás, para implantar um governo que seja aliado, o que na prática, será um “fantoche” em defesa dos interesses trumpistas na rica região petrolífera.
Deve-se considerar ainda, que o caos no Irã reduz o financiamento de grupos armados, como Hamas e Hezbollah, facilitando assim a presença israelense contínua na Palestina, que luta bravamente pela sua autonomia desde os mais recentes ataques sofridos, numa tentativa de colonização tardia e genocida implantada por Netanyahu.
Os iranianos reagiram e atacaram bases norte-americanas no Oriente Médio, (fato esse que pode escalar a violência e os conflitos na região) e com o fechamento de Ormuz, estreito marítimo estratégico no qual 20% do petróleo comercial perpassa, bem como o gás natural. A pressão via países vizinhos é para atingir os EUA: uma retaliação. O preço do petróleo disparou nos mercados globalmente.
Historicamente o Irã é herdeiro do antigo Império Persa. Em 1979, em contrariedade aos abusos do Ocidente, o país fechou-se em uma teocracia rígida. O que Trump e o Primeiro-Ministro Netanyahu almejam, e com posturas tirânicas em ascensão vem garantindo o sucesso das operações, é a métrica primordial da Geopolítica: o controle territorial e de recursos estratégicos para a hegemonia de si, ainda que o custo sejam crimes de guerra.
A desmistificação é necessária: EUA não são os defensores do bem, uma “guerra ao terror” associa-se a um aspecto midiático, Irã não é o eixo do mal, os interesses egoísticos e imperialistas devem ser elencados. Nunca é pela democracia ou liberdade! Não se deve comemorar a morte de centenas, o que demonstra a perversidade humana e o simplismo argumentativo da falta de conscientização histórica e senso. O governo Lula acerta novamente em condenar os ataques sofridos pelo Irã.
Sobre Guilherme de Andrades:
Professor/Historiador, especialista em História e Geografia do Brasil, bem como em Metodologias do Ensino. Possui certificação USP sobre Geopolítica Contemporânea.













