Em um país onde a renda média mensal da população gira em torno de R$ 3.200, mas grande parte dos brasileiros — especialmente a metade mais pobre — sobrevive com rendimentos domiciliares per capita abaixo de R$ 2 mil, é escandaloso ver o Judiciário se comportar como uma casta intocável, driblando o teto constitucional para inflar salários com "penduricalhos" bilionários. Enquanto milhões lutam para pagar contas básicas com salários mínimos de cerca de R$ 1.500 ou rendas precárias em empregos informais, magistrados acumulam remunerações que ultrapassam R$ 100 mil em milhares de ocasiões, expondo uma hipocrisia que corrói a credibilidade das instituições.
O teto salarial do funcionalismo público, fixado em R$ 46.366,19 (equivalente ao subsídio de um ministro do STF desde fevereiro de 2025), deveria ser o limite inquebrantável para evitar privilégios. No entanto, cerca de 93% dos magistrados o driblam com artifícios legais, como verbas indenizatórias — auxílio-moradia, auxílio-acervo, indenizações de férias e outros benefícios que não incidem no cálculo do teto e ainda são isentos de Imposto de Renda. Em 2024, esses extras resultaram em pagamentos acima do limite em mais de 63 mil casos, custando aos cofres públicos R$ 10,5 bilhões — um salto de 49% em relação ao ano anterior, somando a impressionantes R$ 33 bilhões em gastos totais com tais penduricalhos.
Casos extremos, como no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), onde a remuneração líquida média de desembargadores chegou a quase R$ 149 mil por mês em 2025, ilustram o absurdo. Esses valores não são apenas excessivos; são uma afronta à realidade de um Brasil onde a renda média do trabalhador é de R$ 3.208 (considerando todas as fontes em 2024), e onde classes D e E — que representam praticamente metade da população — vivem em domicílios com renda total de até R$ 3.500, o que per capita mal chega a R$ 2 mil. Como justificar que juízes, pagos com impostos de uma nação desigual, acumulem fortunas enquanto famílias mal conseguem comprar comida?
Os defensores dessa prática — magistrados e associações — argumentam que os benefícios compensam defasagens salariais e o fim de adicionais como o quinquênio, recentemente defendido pelo ministro Alexandre de Moraes para "valorizar a carreira". Mas essa narrativa soa vazia diante da crise econômica que assola o país. O Judiciário não é uma ilha de prosperidade; é parte de um sistema que deveria promover justiça social, não perpetuar privilégios. Enquanto o governo federal e o Congresso debatem o fim dos supersalários, e o próprio STF estuda limitar os penduricalhos para uniformizar pagamentos e mitigar o desgaste de imagem, a lentidão nessas reformas só reforça a percepção de uma casta blindada, alheia ao sofrimento alheio.
Essa vergonha nacional não é apenas financeira; é moral. Em um Brasil onde os 1% mais ricos têm renda média mensal de R$ 20.664 per capita, o Judiciário se alia à elite, ampliando o abismo social. É hora de acabar com esses artifícios. Reformas urgentes, como a vinculação estrita ao teto e a tributação de todos os benefícios, são essenciais para restaurar a confiança no sistema judiciário. Caso contrário, continuaremos a ver uma "justiça" que julga os pobres com rigor, mas se absolve de qualquer austeridade.
A população, que mal chega aos R$ 2 mil mensais, merece mais do que isso: merece equidade.
O Brasil continua sendo uma vergonha, a casta nobre não abre mão de ter supersalários enquanto, o trabalhador vive na penumbra!
Uma vergonha!













