No autismo, brincar pode ser o caminho para aprender a se regular
A autorregulação é a capacidade que a criança desenvolve para controlar emoções, comportamentos e reações diante de diferentes situações do dia a dia. No caso das crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), esse processo pode exigir mais apoio, principalmente em momentos de ansiedade, frustração, mudanças de rotina ou sobrecarga sensorial.
Nesse contexto, os brinquedos de apoio surgem como ferramentas simples e eficazes para ajudar a criança a se organizar emocionalmente e corporalmente. Eles não substituem intervenções profissionais quando necessárias, mas podem contribuir significativamente para o bem-estar e a participação da criança em atividades escolares, familiares e sociais.
Estudos internacionais nas áreas de neurodesenvolvimento e integração sensorial indicam que recursos sensoriais adequados podem auxiliar na redução da agitação, na melhora da atenção e na promoção de comportamentos mais adaptativos. Pesquisas publicadas em periódicos científicos, como o Journal of Autism and Developmental Disorders e o American Journal of Occupational Therapy, apontam que estratégias de regulação sensorial favorecem a adaptação da criança aos estímulos do ambiente e contribuem para o desenvolvimento da autonomia.
Entre os brinquedos mais utilizados para auxiliar na autorregulação estão objetos sensoriais que envolvem toque, pressão, movimento ou estímulos visuais, como massinhas, bolinhas de apertar, brinquedos de manipulação repetitiva e recursos que promovem relaxamento. Esses materiais ajudam o sistema nervoso a se organizar, oferecendo à criança uma forma segura de expressar emoções e reduzir tensões.
É importante destacar que a autorregulação é uma habilidade que se desenvolve ao longo do tempo e depende da mediação do adulto. O brinquedo, por si só, não ensina a criança a se regular, mas pode facilitar esse processo quando utilizado com orientação, previsibilidade e acolhimento.
Promover autorregulação significa ensinar a criança a reconhecer suas emoções e encontrar maneiras adequadas de lidar com elas. E, muitas vezes, esse aprendizado começa com estratégias simples, acessíveis e presentes no cotidiano.
Brincar, nesse contexto, não é apenas diversão — é uma forma de cuidar do desenvolvimento emocional e do equilíbrio da criança.
Sobre a colunista:
Marcela Fernanda de Andrade é pós-graduada em Neurociência, TEA, Educação Especial e Inclusiva, com capacitações em AUTISMO pela Universidade de Harvard, The American Academy of Pediatrics (AAP) e PANAACEA Argentina. É Autista, mãe atípica, estudante de Fonoaudiologia e mestranda em Distúrbios da Fala, Linguagem e Comunicação Humana.
Instagram: @neurofono_marcelaandrade
Atenção: Esta é uma coluna informativa. Em caso de dúvidas específicas, procure sempre um profissional qualificado.













