Existe uma ideia silenciosa, mas muito equivocada, de que o autismo pertence apenas à infância. Como se ele tivesse prazo de validade. Como se, ao crescer, a pessoa “deixasse de ser autista”. A realidade é outra: o autismo não tem idade. Ele acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida, com diferentes formas de manifestação, necessidades e potencialidades em cada fase.
Na infância, os sinais costumam ser mais visíveis porque envolvem desenvolvimento da fala, comportamento e interação social. Já na adolescência e na vida adulta, o autismo muitas vezes se torna invisível aos olhos de quem não quer ver. Adultos autistas existem, trabalham, estudam, formam famílias, enfrentam desafios emocionais e sociais — muitas vezes sem diagnóstico, sem apoio e sem acolhimento.
Reconhecer que o autismo não tem idade é reconhecer o direito ao cuidado contínuo, ao respeito e à inclusão em todas as fases da vida. É entender que desenvolvimento não acaba na infância e que apoio não deve ser interrompido com o passar dos anos. Autismo não é fase. É condição neurológica. E, acima de tudo, é humanidade.
Sobre a colunista:
Marcela Fernanda de Andrade é pós-graduada em Neurociência, Transtorno do Espectro Autista (TEA), Educação Especial e Inclusiva, com Capacitação em TEA pela Universidade de Harvard. É mãe atípica, Estudante de Fonoaudiologia, Mestranda em Distúrbios da Fala, Linguagem e Comunicação Humana.
Instagram: @neurofono_marcelaandrade
Atenção: Esta é uma coluna informativa, baseada em observações gerais e conhecimento público. Em caso de dúvidas ou necessidades específicas, procure sempre um profissional qualificado.













